Certo, então isso aconteceu no final de dezembro de 1978, e todo mundo que conto faz as mesmas perguntas. Era real? O que era? Ainda acredito no que vi? E a resposta é sim, sei o que vi naquela noite. Era capitão de um avião de carga, voava pela Safe Air há anos naquele ponto. Meu nome é William, e pilotava um turboélice Argosy fazendo entregas de jornais entre Wellington, Christchurch e Blenheim. Antes de entrar no que aconteceu no dia 30 de dezembro, você precisa saber sobre o dia 21 de dezembro. Nove dias antes. Meus colegas, dois outros pilotos da Safe Air chamados Vernon e Ian, estavam num voo de carga de rotina de Blenheim para Christchurch. Por volta das 2 da manhã, começaram a ver luzes estranhas ao largo da costa de Kaikoura. Luzes brilhantes, acompanhando a aeronave deles. E aqui está o fato: não eram apenas eles que estavam vendo. O controle de tráfego aéreo de Wellington tinha os objetos no radar. Os pilotos também os tinham no radar de bordo.
Vernon me contou que as luzes eram enormes. Algumas pareciam do tamanho de uma casa, disse ele. Outras eram menores, mas piscando intensamente. Cinco luzes brancas piscando dispostas nessa nave. Desapareciam e reapareciam em outro lugar. A coisa toda durou vários minutos. Obviamente registraram um relatório. A notícia se espalhou rapidamente. Então, no dia 30 de dezembro, havia interesse da mídia. Um produtor de TV de Melbourne, do Canal 0, havia rastreado um repórter que estava de férias em Christchurch. Quentin era o nome dele, alterei para preservar a privacidade. O produtor também contratou um cameraman freelancer de Wellington, um cara chamado Derek, e sua esposa Nina, que ficaria responsável pela gravação de som. Queriam fazer uma reportagem, talvez capturar algo em filme se as luzes aparecessem novamente. Eu e meu co-piloto Robert estávamos escalados para um voo de jornais naquela noite. Partida tarde, por volta da meia-noite do dia 30 para o dia 31. A Safe Air concordou em deixar a equipe de TV vir junto. Lembro que pensei que provavelmente seria um voo tranquilo, sabe o que quero dizer? As chances de ver algo novamente pareciam bem pequenas.
Decolamos de Wellington um pouco depois da meia-noite, em direção a Christchurch com um porão cheio de jornais. A equipe de TV estava instalada na parte traseira, Derek com sua câmera de 16mm pronta. Quentin estava nervoso, dava para perceber. Nina estava mais calma, profissional. Tinham equipamentos de gravação, microfones, tudo. Estávamos uns vinte minutos de voo quando Robert e eu começamos a notar algo. A oeste, sobre a costa de Kaikoura, a uns trinta e tantos quilômetros. Luzes. Não eram luzes normais. Apareciam e desapareciam. Chamei a tripulação para vir à cabine de pilotagem. Disse que algo estava acontecendo de novo. Derek veio à frente com a câmera. Primeiro filmou pela janela da cabine. As luzes estavam distantes mas visíveis, uma luz branca brilhante que se movia rapidamente. E eis o que tornou tudo real: não éramos apenas nós que estávamos vendo. Radiofonei o controle de tráfego aéreo de Wellington. Confirmaram que tinham algo no radar. Nosso radar de bordo também mostrava. Um alvo, exatamente onde estávamos vendo as luzes.
[ A história continua no jogo completo... ]