Olá. Primeiro, quero deixar muito claro: eu sei o que vi. Fui policial por quinze anos em Eupen, na Bélgica. Conheço a diferença entre aeronaves, helicópteros e algo que não deveria existir. O que meu parceiro e eu testemunhamos na noite de 29 de novembro de 1989 não era nenhum desses. Meu nome é Bernard, e estou ligando de Eupen. É uma cidade pequena no leste da Bélgica, a uns onze quilômetros da fronteira alemã. É tranquilo aqui. Não acontece muita coisa. Tem a infração de trânsito ocasional, talvez um roubo. Nada que te prepare para o que vimos naquela noite. Era uma noite de novembro limpa, fria mas não congelante. Meu parceiro Marc e eu estávamos em patrulha de rotina, dirigindo pelo campo às margens da cidade. Devia ser por volta das onze horas da noite. Estávamos voltando para a delegacia, pegando uma das estradas secundárias. Foi então que Marc agarrou meu braço. Ele não disse nada no começo. Só apontou para cima pelo para-brisa.
Olhei para cima e vi luzes. Mas não luzes normais. Eram massivas, incrivelmente brilhantes. Como os holofotes de um estádio de futebol, mas no céu. Três delas, dispostas em um triângulo perfeito. E no centro, havia essa luz vermelha, pulsando lentamente. Toda a formação estava simplesmente suspensa no ar, a talvez sessenta metros de altura. Completamente imóvel. Paramos o carro imediatamente. Saímos para ver melhor. As luzes eram tão brilhantes que você conseguia ler com elas. Digo isso literalmente. Olhei para meu relógio e consegui ver cada detalhe no mostrador com a luz que aquelas coisas emitiam. E a nave em si, uma vez que seus olhos se ajustavam ao brilho, você conseguia ver a forma. Era triangular. Plana. Escura, quase preta. Talvez uns trinta e seis metros de largura, se eu tivesse que adivinhar. As três luzes brancas ficavam em cada canto, e aquela vermelha no meio continuava pulsando. Ligava e apagava. Ligava e apagava. Aqui está o que me pegou. Não fazia som algum. Nenhum. Estávamos parados em silêncio completo, encarando essa coisa enorme flutuando acima de nós, e não havia ruído de motor, não havia rotores, nada. Só o vento nas árvores e nossa própria respiração. Já estive perto de helicópteros. Já estive perto de aeronaves militares. São barulhentos. Aquilo era absolutamente silencioso.
Marc chamou no rádio. Contactou nosso despachante, Pierre Laurent. Eu sabia o que tinha visto, e dava para perceber que Marc também. Lembro que a voz de Marc estava um pouco trêmula quando fez a chamada. Ele disse: Pierre, estamos vendo algo estranho no céu. Algo muito estranho. Você precisa mandar alguém mais aqui. Pierre achou que estávamos brincando no começo. Até riu e disse algo sobre o Papai Noel tentando pousar cedo. Mas não estávamos brincando. Ficamos lá por talvez dez minutos, só observando aquela coisa. Ela não se moveu o tempo todo. Só pairou ali, completamente estável, como se estivesse ancorada ao céu. Então, muito devagar, começou a derivar. Não voar. Derivar. Atravessou o céu à velocidade de um carro andando devagar, ainda mantendo aquela forma de triângulo perfeito, ainda completamente silenciosa. A seguimos na viatura por um tempo, mantendo-a à vista. Por fim ela simplesmente se afastou em direção ao sudeste e perdemos o contato visual. Quando voltamos à delegacia, Pierre nos disse que havia contactado os aeroportos. Ninguém tinha nada no radar. Ninguém tinha voos programados naquela área. Quando nosso turno terminou por volta de uma da manhã, já tínhamos recebido ligações de pelo menos trinta outras pessoas. Várias outras unidades policiais. Todos relatando a mesma coisa. Nave triangular. Luzes brilhantes. Silenciosa. Todo mundo viu.
[ A história continua no jogo completo... ]