Olha, eu sei como isso soa. Mas estou te dizendo exatamente o que aconteceu. Meu nome é Derek, estou ligando de Jacksonville, e em 1974 eu era um estudante de pré-medicina de vinte e um anos morando com meus pais na Ilha Fort George. Um lugar lindo, com árvores cobertas de musgo e mata tropical, bem isolado. E em 27 de março daquele ano, encontramos algo na floresta que mudou tudo. Tinha tido um pequeno incêndio na nossa propriedade, nada grave, queimou só parte da vegetação rasteira. Meus pais, Marcus e Helen, queriam dar uma volta para verificar os danos, garantir que nada importante tivesse sido queimado. Fui com eles, os três caminhando pela grama carbonizada e arbustos queimados. Foi então que o avistei. Uma esfera de metal, simplesmente pousada na grama. Perfeitamente redonda, mais ou menos do tamanho de uma bola de boliche, mas pesada. Muito pesada. Quando a levantei, calculo que pesava uns dez quilos. Prata brilhante, lisa por toda parte, exceto por aquela pequena marca triangular, talvez três milímetros de comprimento. No começo achamos que era uma antiga bala de canhão, sabe, a ilha tem uma história que remonta às missões espanholas dos anos 1500. Pareceu uma lembrança legal, então a carreguei de volta para casa e coloquei no meu quarto.
Ficou por lá umas duas semanas, só uma bola de metal esquisita na minha prateleira. Não fazia nada, não se movia, nada de estranho. Aí uma tarde eu estava no meu quarto tocando violão, só mexendo com alguns acordes, e juro a você, a esfera começou a zumbir. Não era alto, mas dava para ouvir. Um som de vibração baixa, como se estivesse ressoando com a música. Nossa cachorra, uma poodle, começou a choramingar e cobriu as orelhas com as patas. Nunca a tinha visto fazer isso antes, nem uma vez em todos os anos que tivemos ela. Minha mãe veio correndo perguntando o que havia de errado com a cachorra, e foi então que percebemos que o som vinha da esfera. Tiramos ela da prateleira e colocamos no chão, e foi aí que as coisas ficaram realmente estranhas. A bola começou a se mover. Sozinha. Sem inclinação, sem vibração da casa, ela simplesmente se moveu. Rolou uns um metro e vinte, parou, então virou e rolou em outra direção. Mudou de curso por conta própria. Começamos a fazer experimentos com ela. Meu pai a rolava pelo chão até mim, e às vezes ela mudava de direção no meio do caminho e rolava de volta para ele. Colocamos ela na nossa mesa de centro de vidro uma vez, e ela rolou por toda a borda sem cair. Simplesmente navegou pelo perímetro como se soubesse onde estava a borda.
Minha mãe foi quem decidiu que precisávamos ligar para alguém. Isso já era em abril, talvez três semanas depois que a tínhamos encontrado. Ela contactou o Jacksonville Journal, achou que talvez pudessem nos ajudar a descobrir o que era aquela coisa. Mandaram um fotógrafo, um cara chamado Larry Edwards. Minha mãe colocou a esfera no chão para ele e disse para esperar. Ela rolou um pouco, parou, girou sozinha, rolou para a direita uns um metro e vinte. Parou de novo. Depois virou e rolou para a esquerda uns dois metros e meio, fez um grande arco, e voltou direto para os pés de Larry. Depois disso, o telefone não parou de tocar. Em uma ou duas semanas estávamos recebendo ligações de todo o país. Jornais internacionais pegaram a história. Todo mundo queria saber o que era aquela coisa, de onde veio. As pessoas apareciam na nossa casa. Um cara chamado Kevin Wallace veio de um instituto holístico em Baton Rouge, passou seis horas examinando a bola. Ele disse que ela tinha um campo magnético ao redor e estava transmitindo ondas de rádio. Ondas de rádio! Vindo de uma esfera de metal que encontramos na floresta. A Base Naval dos EUA ficava bem do outro lado da água, então minha mãe os ligou. Achando que talvez fosse deles, talvez tenha caído de um navio ou algo assim. Eles vieram e a levaram para a Estação Naval Mayport, fizeram todo tipo de testes. Tiraram raio-X, fizeram análise metalúrgica. Nos disseram que era oca, de aço inoxidável, com casca de mais ou menos um centímetro e vinte de espessura. Media exatamente 20,2 centímetros de diâmetro, pesava 9,67 quilos. Aço de alta qualidade, mas nada incomum no material em si. Disseram que não era propriedade da Marinha e a devolveram.
[ A história continua no jogo completo... ]