Sim, obrigado por atender minha ligação. Ainda não contei isso pra ninguém. Não sei como explicar sem parecer louco, mas vou tentar. Aconteceu dois dias atrás. Cheguei em casa pouco depois da meia-noite. Lembro que a casa pareceu estranha logo que entrei. Estava quieta demais. Não silenciosa do jeito normal. Silenciosa como um peso. O tipo de silêncio que faz você perceber que está com o coração acelerado sem nem saber quando foi que acelerou. Fui até a cozinha pegar água. Tudo normal. Dei uma volta pelo andar de cima. Normal. Fui pro quarto e ia me deitar quando ouvi o guincho.
Antes que eu pudesse nem reagir ao guincho, ele soltou um grito. Não era humano. Nada perto disso. Era um som cru, rasgante, que parecia metal sendo partido. Me atingiu tão forte no peito que não consegui nem respirar. Não me orgulho disso, mas perdi o controle. Molhei as calças ali mesmo. Eu tava perto da escada e simplesmente saí correndo. Caí pela metade dos degraus, levantei, saí pela porta da frente. Nem peguei as chaves do carro. Só corri até o fim da rua e fiquei sentado numa sarjeta por horas. Era meia-noite. Não havia ninguém acordado pra chamar.
Quando o sol finalmente nasceu, me forcei a voltar. Fiquei na entrada do carro por muito tempo antes de abrir a porta. A casa parecia completamente normal. Luz do sol, nada fora do lugar, sem sinal de que alguém tinha entrado. Mas no segundo em que passei pela escada me lembrei dele parado ali no topo olhando pra mim. Alto. Acinzentado. Sem nariz que valesse nada. Olhos grandes e escuros que não piscavam. Tinha três metros? Quatro? Parecia enorme, mas talvez parecesse maior por causa do pânico. O que eu sei é que quando cheguei ao corredor de cima, tudo estava exatamente no lugar. Mas havia um cheiro. Novo. Como ozônio depois de uma tempestade. Como estática. Como alguma coisa que passou por ali e deixou sua marca no ar. tinha uma proporção que não fazia sentido - Chamada anônima'
[ A história continua no jogo completo... ]