Isso aconteceu em novembro de 2003. Eu trabalhava como contratado para a empresa elétrica na Renânia-Palatinado. Fazia cerca de três anos que eu estava na Alemanha, fazendo manutenção nas linhas de transmissão. Bom trabalho, salário decente. A área onde eu estava designado naquele mês corria ao longo do perímetro do que antes era uma instalação militar. Base Delta, chamavam. Instalação americana da era da Guerra Fria, descomissionada no final dos anos 90. Cercada, acesso restrito, o pacote todo. Dava pra ver alguns dos prédios antigos da estrada, mas o lugar todo estava basicamente fechado. Ninguém entrava, ninguém saía. Tinha passado por ela umas cinquenta vezes sem pensar muito. Só mais uma base abandonada. Mas naquele dia específico, tive que trabalhar numa torre a uns quinhentos metros da cerca. Vista clara pro complexo principal.
Era terça-feira, lembro porque meu parceiro tinha faltado o dia anterior e não tinha voltado ainda. Só eu naquele dia. Tudo bem. Às vezes você trabalha melhor sozinho, sem distrações. O tempo era típico do final de novembro. Nublado, frio, aquela luz cinza e opaca que você pega no inverno. Temperatura de uns quatro, cinco graus Celsius. Vento vindo do leste, não terrível mas suficiente pra sentir quando você está numa torre. Cheguei ao local por volta das duas da tarde. Estacionei o caminhão, juntei meu equipamento, comecei a subir. A torre que eu precisava trabalhar tinha uns vinte metros. Verificação de tensão de rotina, inspecionar os isoladores, talvez uma hora de trabalho se tudo parecesse bem. De lá em cima dava pra ver a base inteira espalhada. A maioria dos prédios era de blocos de concreto. Alguns hangares, o que parecia ser barracões, algum tipo de prédio administrativo. Tudo vazio. Tudo quieto.
Eu tinha trabalhado por uns vinte minutos quando senti. Não foi bem um som, mais uma sensação. Sabe aquela mudança de pressão que você sente antes de uma tempestade? Assim, mas mais agudo. Fez meus ouvidos estourar. Olhei pra base e foi aí que vi subir de trás de um dos hangares. Aquele objeto branco, perfeitamente liso, em formato de Tic Tac. Sem asas, sem motores visíveis, nada. Só aquela forma oblonga branca, talvez doze metros de comprimento, subindo direto pra cima. Parou a uns cinquenta metros acima do hangar. Ficou ali. Completamente imóvel. Sem som nenhum. O vento estava soprando, eu sentia na torre, mas aquela coisa não se movia. Não inclinava, não derivava. Como se estivesse travada no lugar. Só fiquei olhando. Não sabia o que estava vendo. Algum tipo de drone, talvez? Mas nunca tinha visto um drone tão grande, tão liso. E estava longe demais da cerca pra ser coisa civil. Aquilo vinha de dentro da zona restrita. estava no espaço aéreo de uma base abandonada - Emmet'
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