O Cinzento na Oficina

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Ei. Isso aconteceu em janeiro de 78. Eu trabalhava no turno da noite na Usina Lakeside Steel em Gary, não na planta principal, mas na menor, na Rota 20. Serviço de limpeza. Terceiro turno, das 23h às 7h, cinco noites por semana. O salário não era grande coisa, mas minha esposa tinha acabado de ter nosso segundo filho e precisávamos da renda, sabe como é. Eu estava lá uns quatro meses naquele ponto. Tempo suficiente para conhecer a rotina, mas curto o bastante para ainda me assustar ficando naquele prédio sozinho à noite. E eu estava sozinho, completamente sozinho. A gerência parava a produção nos fins de semana para manutenção, então nas noites de sábado era só eu e cerca de 60.000 metros quadrados de chão de fábrica vazio. O lugar era velho. Construído nos anos 40, acho. Tetos altos, aquelas janelas industriais grandes com tela de arame no vidro. A maior parte do maquinário era desligada nos fins de semana, mas você ainda conseguia ouvir coisas se acomodando, metal se contraindo com o frio. Todo som ecoava. Eu tinha me acostumado, em grande parte. Era o que você tinha que fazer, ou ficaria louco.

Naquela noite em particular, sábado, 14 de janeiro, eu estava fazendo minha rota habitual. Começo pelo chão principal, passo pelos escritórios, depois o refeitório e os banheiros. Deixava a oficina de máquinas por último porque era a mais suja. Aparas de metal por todo lado, óleo em todas as superfícies. Levava o dobro do tempo de qualquer outro lugar. Por volta de duas e meia da manhã, eu seguia pelo corredor leste em direção à oficina. Foi então que percebi as luzes. As luzes do corredor naquela seção estavam em grande parte queimadas, tinham planejado trocá-las por semanas, então estava bem escuro por lá. Apenas algumas luzes de emergência, aquele brilho esverdeado que elas emitem. Não dava para ver muito além de três metros. Mas havia luz saindo por baixo da porta da oficina. Não os fluorescentes do teto. Outra coisa. Uma luz meio azulada e branca, piscando levemente. E aquela seção devia estar trancada. Fora dos limites para limpeza por causa de alguns trabalhos de calibração que estavam fazendo. Eu tinha uma nota sobre isso do meu supervisor.

Devia ter deixado assim. Devia ter comunicado. Mas eu estava curioso e, honestamente, achei que a manutenção tivesse deixado algum equipamento ligado. Eu tinha uma chave mestra que abria a maioria das portas, incluindo aquela. Destraquei e empurrei lentamente. A luz vinha do fundo da oficina, perto das torneiras grandes. E havia algo se movendo por lá. Pequeno, talvez um metro e vinte de altura, curvado sobre uma das máquinas. Meu primeiro pensamento foi que uma criança tivesse entrado de alguma forma. Mas isso não era uma criança. Era cinza. Isso foi a primeira coisa que notei. Completamente cinza, aquela pele lisa, com aparência quase de borracha. A cabeça era grande demais para o corpo, e os braços eram finos, mais longos do que deveriam ser. Sem cabelo que eu pudesse ver. Usava algo, talvez algum tipo de roupa justa, difícil de dizer. A luz azulada vinha de algo que segurava, como um pequeno dispositivo ou ferramenta.

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