Sim, olá. Estou ligando da Rússia, então me perdoe pelo inglês. Já pratiquei esta história muitas vezes porque quero contá-la corretamente. Foi no inverno de 1988. Janeiro. Trabalhava em inspeção de gasodutos em Yamalo-Nenets. Conhece essa região? Extremo norte. Acima do Círculo Ártico. Nada além de tundra, permafrost e gasodutos. Éramos quatro na equipe naquele dia. Eu, Dmitri, Kolya e nosso supervisor Sergei. Verificávamos um trecho de canos a talvez sessenta quilômetros do assentamento mais próximo. A temperatura estava menos quarenta e dois. Nesse frio, você não desliga o motor. Nunca. Dmitri ficou com o caminhão para mantê-lo funcionando. É assim na Sibéria. Você deixa um veículo por dez minutos naquele frio, o bloco do motor racha. As linhas de combustível congelam. Você morre. Então Dmitri ficou para trás. O resto de nós caminhou até verificar um ponto de junção perto de um lago congelado. Lago Kharvuto, os moradores o chamavam. Um lago pequeno, talvez trezentos metros de largura. Pelo menos dois metros de gelo, sólido até o fundo. Você poderia passar um tanque por cima.
Vimos a esfera antes de chegarmos ao ponto de junção. Estava pousada no gelo, a talvez cento e cinquenta metros da margem. No começo achei que era um tanque de armazenamento. Algum equipamento que tinha sido deixado para trás. Mas não havia razão para ter equipamento ali. Sem estradas, sem instalações, nada. Conforme nos aproximamos, conseguia ver que estava errado. A forma era perfeita demais. Uma esfera de talvez oito metros de diâmetro. A superfície parecia ferro enferrujado. Ferro velho, cheio de cicatrizes e rugoso, da cor de sangue seco. Mas pousava no gelo sem rompê-lo. Algo daquele tamanho, de aparência tão pesada, deveria ter rachado a superfície pelo menos. Mas o gelo abaixo estava sólido. Intacto. Sergei queria comunicar. Achava que podia ser algo militar. Algum projeto secreto que não deveríamos ver. Mas não havia marcações. Nenhuma escotilha que eu pudesse ver. Apenas aquela bola enferrujada enorme sentada no gelo como se estivesse lá desde sempre. Ficamos na margem, os três, tentando decidir o que fazer. E então uma seção da esfera se abriu. Simplesmente se apartou, como uma boca se abrindo.
Quatro deles saíram. Não sei como chamá-los. Criaturas. Seres. Máquinas. Tinham forma de cubo. Baixos, pesados, talvez um metro e meio em cada lado. Tinham pernas, quatro colunas grossas nos cantos, mas sem braços que eu pudesse ver. Sem cabeças. Apenas esses corpos densos e quadrados. A pele deles, se é que se pode chamar assim, parecia couro oleado. Espessa, escura, com um brilho bronzeado. Quando a luz incidia, havia uma qualidade metálica. Mas se movia como carne. Esticava e se comprimia conforme caminhavam. E o jeito como andavam. É o que mais me lembro. Cada passo parecia uma agonia. Como se pesassem dez toneladas cada um. Seus pés afundavam no permafrost a cada passo, vinte, trinta centímetros. O gelo abaixo deles gemia. Dava para ouvir ele rachando sob a pressão. Dmitri estava bem ao meu lado, e ele agarrou meu braço. Ter alguém com você nessas situações reconforta — Blake. O rosto dele estava branco. Não de frio. De medo. Eles não nos olharam. Não nos reconheceram de jeito nenhum. Éramos nada para eles. Insetos. Irrelevantes.
[ A história continua no jogo completo... ]