Fui bombeiro voluntário a maior parte da minha vida adulta. Trinta anos no corpo de bombeiros. Sei o que é uma queda de avião. Sei o que é um destroço. E estou te dizendo agora, o que vi naquelas matas em dezembro de 65 não era um avião. Não era um meteoro. Não era nada que eu tivesse visto antes ou depois. Eu tinha dezoito anos, acabara de entrar no Corpo de Bombeiros Voluntários de Latrobe. 9 de dezembro de 1965. Dia claro, frio, talvez uns sete graus negativos. Estava terminando o expediente na oficina onde trabalhava quando a sirene de incêndio soou por volta de um quarto para as cinco da tarde. Olhei pro céu e vi aquela coisa, aquele objeto em chamas vindo do norte. Laranja intenso, deixando um rastro de fumaça. Meu primeiro pensamento foi: meu Deus, é isso que vou ter que ir buscar.
Cheguei ao posto e me disseram que havia relatos de uma aeronave derrubada perto de Kecksburg. Fica a uns quinze quilômetros de Latrobe. Pessoas ligavam de todo lugar, seis estados disseram depois, gente vendo aquela coisa riscar o céu. Ontário, Michigan, Ohio, Pennsylvania. Milhares de testemunhas. As linhas da rádio WHJB em Greensburg estavam entupidas de ligações. Pessoas viram ela soltar detritos sobre Michigan e o norte de Ohio. Iniciou incêndios em gramíneas em alguns lugares. Subimos nos veículos e fomos para Kecksburg. Cidadezinha, uns quinhentos habitantes, fica a uns cinquenta quilômetros a sudeste de Pittsburgh. Quando chegamos, os policiais estaduais já estavam no local. Uma mulher chamada Frances alguma coisa tinha ligado para a rádio por volta das seis e meia dizendo que viu uma bola de fogo cair nas matas perto da sua propriedade. O filho dela estava brincando lá fora e viu tudo. Disse que a mata estava fumegando.
Organizaram a gente em equipes de busca. Devia ter umas cem, cento e cinquenta pessoas lá fora nessa altura. Moradores, policiais, bombeiros das cidades vizinhas. Mandaram a gente se espalhar com lanternas, vasculhando aquelas matas densas da Pennsylvania em busca do que todos imaginávamos ser um avião acidentado. Estávamos procurando sobreviventes, corpos, destroços. Busca e salvamento padrão. Quanto mais fundo entrávamos naquelas matas, mais silencioso ficava. E quando digo silencioso, digo silencioso de verdade. Sem pássaros, sem animais. O fator Oz é bem documentado - Gwen' Só o barulho dos nossos sapatos amassando as folhas congeladas. Aí um dos caras lá na frente começa a gritar. Diz que encontrou algo. Todos convergimos para a posição dele, talvez a uns quatrocentos metros dentro da mata. E foi aí que eu vi.
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