O Incidente de Kofu

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Preciso te contar sobre algo que aconteceu quando eu tinha sete anos de idade. Estou ligando do Japão, e isso aconteceu aqui mesmo em Kofu City em 1975. 23 de fevereiro. Lembro a data exata porque, sabe, você não esquece uma coisa dessas. Nunca. Eu estava com meu primo Katsuo naquela tarde. A gente estava patinando no gelo perto do Conjunto Habitacional Hinode em Kamimachi. Era domingo, então tínhamos brincado mais tarde que o normal, por volta das seis e meia da tarde. Estávamos numa laje de concreto num terreno vazio, fazendo o que crianças fazem, e foi aí que olhamos para cima e os vimos. Duas luzes laranja no céu. Laranja brilhante, cintilante. Vinham do leste, de sobre o Monte Tatsuzawa. De início, ficamos parados, sabe, observando. Não eram aviões. Do jeito que se moviam, era diferente. E estavam fazendo aquele som, aquele som de estalos e cliques. Como um contador Geiger, se você já ouviu um desses. O maior se separou e foi para o norte em direção ao Monte Atago. Mas o menor continuou se aproximando. Veio direto sobre nossas cabeças, e dávamos para ver que tinha aquele formato circular com três coisas girando embaixo. Tinha aquela coisa tubular preta se estendendo para baixo, e o barulho ficou mais alto. A gente ficou com medo. Com muito medo. Então a gente correu.

Corremos para o templo Fukuoji, o que fica perto, e nos escondemos atrás das lápides no cemitério. Sei que parece estranho, duas crianças se escondendo num cemitério, mas a gente estava apavorado. Ficamos lá até não conseguirmos mais ver o objeto, e aí começamos a ir em direção à minha casa. Mas quando chegamos perto da estrada perto do Complexo Hinode, vimos aquela chama vermelha brilhante ao longe. Num primeiro momento pensamos que algo tinha caído, sabe? Tipo um avião ou algo assim. Éramos crianças curiosas, e o medo tinha diminuído um pouco, então fomos em direção a ela. A estrada virou um caminho de terra, e além havia os vinhedos. Era inverno, então não havia uvas. Só aqueles postes de concreto em fileiras, segurando as telas de arame para as videiras. Quando chegamos perto o suficiente para ver claramente, foi aí que percebemos que a luz laranja que tínhamos visto no céu tinha pousado ali mesmo no vinhedo. Não era fogo. Não era um acidente. Estava ali, no chão. Tiramos os patins e nos aproximamos. O objeto que brilhava laranja no céu agora estava prateado. Prata metálica. Era em forma de domo, talvez uns cinco metros de diâmetro, uns dois metros de altura. Um disco. Estava apoiado em três trens de pouso em formato de bola, e o domo superior girava, mas depois parou. A areia estava levantando ao redor dele mesmo sem vento nenhum.

Passamos uns cinco minutos só olhando para ele. Chegamos perto, talvez uns seis a dez metros de distância. Havia escrita na lateral. Símbolos estranhos, em relevo na superfície. Pareciam hieróglifos ou algo assim. Um lado tinha cinco caracteres. Lembro que pensei que poderiam significar 'disco voador,' mas eu tinha sete anos, então quem sabe. O outro lado tinha marcações parecidas, mas não conseguia distingui-las tão claramente. E então uma porta se abriu. Logo acima daqueles caracteres, uma porta deslizou para baixo e virou uma escada. Conseguia ver lá dentro, só de raspão. Estava fraco lá dentro, mas vi maquinaria, luzes piscando. Vermelho, azul, verde. E vi outra figura sentada lá dentro, menor, na frente do que parecia ser um painel de controle. Foi aí que o primeiro saiu. Desceu aquelas escadas, e te digo, nunca vi nada igual antes nem depois. Tinha uns um metro e vinte de altura, um pouco mais. Vestia aquele traje prateado que parecia refletir a luz, fazendo parecer que estava brilhando. O traje tinha aquela textura. E carregava algo que parecia uma arma, mas não qualquer arma que eu já tivesse visto. Mas o que realmente nos assustou foi o rosto. Pele marrom escura, coberta de rugas fundas. Tantas rugas que você não conseguia ver olhos nem nariz. O rosto inteiro era só dobras de pele. Exceto pela boca. Onde deveria estar a boca, havia três presas metálicas. Uns cinco centímetros de comprimento, pratas, como dentes de metal. E tinha essas orelhas pontudas. Sei como isso soa, mas estou te contando o que vi.

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