Os Marcianos das Tortas de Carne

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Olha, eu sei como isso vai soar, mas preciso contar para alguém o que me aconteceu lá em janeiro de 1979. Já contei essa história antes, e algumas pessoas riram, mas as pessoas que me conhecem, elas sabem que não sou de inventar coisas. Sou apenas uma dona de casa comum de Rowley Regis, e o que aconteceu naquela manhã, bom, foi a experiência mais estranha de toda a minha vida. Era a manhã do dia 4 de janeiro. A neve ainda cobria o chão das festas de fim de ano, tudo branco e quieto. Meu marido Thomas tinha acabado de sair para o trabalho na cimenteira, devia ser por volta das sete e meia. Eu estava na cozinha, arrumando depois do café da manhã, quando percebi aquela luz lá no quintal dos fundos. Meu primeiro pensamento foi que Thomas tinha deixado a luz da garagem acesa, sabe como os homens são, sempre esquecendo essas coisas. Então fui verificar, pensando que ia só apagar. Mas quando cheguei à porta dos fundos, a garagem estava escura. A luz continuava lá, porém. Um brilho laranja intenso, pairando bem acima do meu jardim. Enquanto ficava ali olhando, começou a mudar de cor, passando de laranja para branco, uma luz branca deslumbrante. E então ouvi aquele som. Zee, zee, zee. Como nada que eu jamais ouvira. Agudo, quase mecânico, mas não exatamente.

E foi aí que eles entraram pela porta. Três deles, flutuando direto por mim para dentro da minha cozinha. Não me envergonho de dizer que estava apavorada. Me agarrei à pia de metal, pensando não sei o quê, talvez pudesse me defender com ela. Mas não conseguia me mover. Estava paralisada, pregada no chão. Meu cachorro Hobo, um pastor alemão, cachorro grande e forte, começou a agir de forma estranha imediatamente. O pelo dele ficou todo arrepiado, sabe, como quando um gato se assusta. Ele ficava balançando de um lado para o outro, e então simplesmente desabou no chão, olhando para o teto com aqueles olhos vidrados. O coitado parecia drogado. E então a coisa mais estranha aconteceu. O medo simplesmente, foi embora. Comecei a sentir essa sensação eufórica, como se estivesse flutuando. Na verdade, estava flutuando. Meus pés não tocavam mais o chão. Parecia que estava no céu, embora ainda estivesse em casa na minha sala. Fui flutuando até a sala, e foi aí que vi o que estavam fazendo. Estavam sacudindo minha árvore de Natal. Ainda estava armada das festas, sabe, aquela arvorezinha artificial que tínhamos colocado no canto. E esses seres ficavam puxando ela, tocando ela, como crianças curiosas examinando algo que nunca tinham visto antes.

Assim que pararam de mexer na árvore, pude olhá-los direito. Não sou de inventar coisas, mas vou te dizer o que vi. Eram esguios, bem pequenos na verdade, uns um metro a um metro e vinte de altura. A pele deles era branca encardida, como de cadáveres, e tinham esses olhos pretos. Nada parecido com olhos humanos. Só pretos, brilhantes, como diamantes. Sem sobrancelhas, sem orelhas, sem nariz sequer. Só essas bocas finas. Vestiam essas túnicas verde-prateadas com coletes prateados por cima, cobertos de botões de prata. Na cabeça tinham pequeninhas gorras de prata com algo parecido com uma lamparina no topo, e sobre tudo usavam esses capacetes transparentes. Capacetes de aquário, era o que pareciam. E asas. Tinham asas maravilhosas, coloridas como arco-íris, mas não como as cores terrenas. Essas cores eram muito mais vibrantes, mais vivas de algum modo. As asas eram cobertas de pontinhos, como Braille, e as usavam para se dobrarem pelas portas. Finalmente encontrei minha voz. Disse: 'Três de vocês e uma de mim. O que vão fazer? O que querem comigo?' Eles não responderam com a boca. Em vez disso, ergueram as mãos e apertaram botões no peito, e ouvi um som de bipes. Então saíram vozes, mas do peito deles, não dos rostos. Os três falando ao mesmo tempo. 'Não vamos te machucar,' disseram. 'Viemos do céu.'

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