Obrigado por atender minha ligação. Estou ligando de Dunedin, na Ilha do Sul. Isso aconteceu em março de 1991. Eu trabalhava como motorista de entrega na época, transportando encomendas entre Dunedin e Port Chalmers. Trabalho entediante, na maioria das vezes, mas pagava as contas. O trajeto passava pela estrada do porto, uma dirigida linda, especialmente à noite quando não havia trânsito. Já havia feito aquele caminho centenas de vezes. Conhecia cada curva, cada buraco. Naquela noite específica, era por volta das onze e meia. Céu limpo, sem lua, apenas estrelas em todo lugar. Lembro de pensar no quanto eram brilhantes. Eu estava mais ou menos no meio do caminho entre as duas cidades quando meus faróis começaram a piscar. Não como uma bateria fraca, mais como se algo estivesse interferindo neles. E aqui está o detalhe: o rádio cortou exatamente no mesmo momento. Virou estática.
Diminuí a velocidade, pensei em parar e verificar o motor. Mas então vi. Sobre a água, talvez a duzentos metros da margem. Uma luz. Algo enorme, com pelo menos trinta metros de largura. Pairando logo acima da superfície do porto. Não se movia. Apenas estava ali, aquela cúpula de luz branca intensa com um leve tom azulado nas bordas. Sem som algum. E quero dizer nada; o mundo inteiro havia ficado em silêncio. Até o vento tinha parado. Encostei o carro no acostamento. O motor ainda estava funcionando, mas por pouco. Ficava querendo travar. Saí para ter uma visão melhor, e foi então que a luz começou a se mover. Não através da água, mas para dentro dela. Desceu lentamente, e eu conseguia ver a água se agitando ao redor, vapor subindo onde tocava a superfície.
Eu deveria ter voltado para o carro. Deveria ter saído dali. Mas não conseguia parar de assistir. A luz estava completamente submersa agora, mas eu ainda conseguia vê-la brilhando sob a superfície. Ficando mais brilhante, na verdade. Se aproximando da margem. E então eu senti. Aquela sensação de atração. Não física exatamente, mais como se algo estivesse puxando meus pensamentos. Me atraindo em direção à água. Comecei a descer o barranco antes mesmo de perceber o que estava fazendo. Minhas pernas se moviam sozinhas. A luz emergiu do porto bem à minha frente. Água cascateando de sua superfície. E aqui está o detalhe: eu conseguia vê-la claramente agora. Não era apenas uma luz, era uma nave de verdade. Lisa, metálica, coberta com esses padrões geométricos que pareciam se mover e mudar. Havia uma costura percorrendo a parte inferior, e enquanto eu observava, ela se abriu. Uma luz intensa jorrou para fora, e eu me senti sendo levantado do chão.
[ A história continua no jogo completo... ]