O Gerente de Turno

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Eu sei como isso vai soar. Acredite em mim, já repeti tudo na cabeça mil vezes, tentando dar sentido. Tentando me convencer de que eu só tava cansado, ou que era a fumaça do produto de limpeza do forno. Mas eu sei o que vi. Eu sei o que ele era. Eu trabalhava numa rede de pizzaria. Não vou dizer o nome, mas você conhece. Ingredientes baratos, pesado no óleo. Era um emprego sem futuro, só pra pagar a faculdade comunitária. Eu fazia os turnos de fechamento em sua maioria, o que significava que geralmente era só eu e o gerente, um cara chamado Stan.

Stan era... esquisito. Era isso que a gente dizia. Ele tinha essa condição de pele, muito seca e descamando nas mãos e no pescoço. Ficava sempre passando loção, um produto industrial sem perfume que ele mantinha numa bomba na mesa. E ele odiava o frio. Quer dizer, odiava mesmo. A cozinha de uma pizzaria é sempre quente, sabe? É tipo duzentos graus perto dos fornos. A gente suava a camisa, morrendo de vontade de uma pausa no freezer. Mas Stan? Stan usava um térmico de manga comprida por baixo do polo do uniforme. O escritório dele, um armário nos fundos, ficava com uns trinta graus. Você entrava lá pra depositar o caixa e era como bater numa parede física de calor. Mas ele nunca suava. Nem uma gota. O rosto era sempre seco, meio ceroso.

Era uma terça à noite. Lembro porque terça é a noite lenta, então a gente dispensou os entregadores cedo. Era pleno inverno, fevereiro talvez? Fazia um frio de rachar lá fora. Lembro que tinha tido que raspar uma camada de gelo da porta de entrega mais cedo só pra conseguir tirar o lixo. Fiz questão de fechar e trancar depois por causa do frio. Então a loja estava quieta. Só o zumbido dos refrigeradores de bebida e a ventilação. Stan estava no escritório. Tinha ficado lá por horas com a porta fechada. Eu tava esfregando o lobby da frente, me preparando pra fechar, quando ouvi esse som vindo dos fundos. Não era um som normal. Era um... barulho úmido e rasgando. Como descascar a pele de uma laranja, mas mais alto. E por baixo disso, um clique grave e rítmico. Como um ruído de garganta.

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