Boa noite. Isso aconteceu em 1978. Março, acho. Eu administrava uma fazenda de ovelhas a uns vinte quilômetros fora de Ladybrand, bem perto da fronteira com o Lesoto. Área remota. Só eu, meu irmão Piet e umas trezentas ovelhas espalhadas por talvez 400 hectares. Naquela noite, eu tinha ficado acordado até tarde verificando uma ovelha que estava tendo dificuldade no parto. Resolvi por volta da meia-noite, lavei as mãos, e estava voltando pra casa. Noite clara. Sem lua, mas dava pra ver cada estrela que você pode imaginar. O tipo de noite em que você se sente pequeno, sabe? Eu tava a uns cinquenta metros de casa quando ouvi esse som. Zumbido baixo, como um gerador rodando, mas mais suave. Mais constante. E havia esse brilho vindo de trás do galpão de equipamentos, um brilho laranja pulsante.
Andei em volta do galpão, e foi aí que vi. Sentado no campo a uns cem metros de distância, bem perto da represa de irrigação. Com o formato de uma bolota, é a melhor forma que consigo descrever. Talvez dez metros na parte mais larga, afunilando no topo. A coisa toda brilhava nessa cor laranja apagada, e o zumbido vinha dela. Fiquei ali parado. Não conseguia me mover a princípio, não conseguia nem gritar. Meu coração tava disparado no peito. E então os vi. Quatro figuras perto da represa, se movendo por ali. Tinham talvez um metro e meio de altura, magras, se movendo de um jeito mecânico. Movimentos rápidos, depois quietas, depois movimentos rápidos de novo. Me aproximei, não me pergunte por quê, só precisava ver. Me movi ao longo da cerca, me mantendo baixo. Cheguei a uns quarenta metros antes de parar. Foi aí que consegui vê-las direito. E veja bem, as cabeças delas tinham a forma de morango. Eu sei como isso soa. Mas largas no topo, terminando numa ponta no queixo. Superfície texturizada, não lisa. Cor vermelho-escuro.
Estavam na beira da represa, e uma delas segurava algo, parecia um recipiente de algum tipo, talvez metálico. Se abaixou e mergulhou na água. As outras estavam paradas ao redor, e estavam fazendo esses sons. Sons crepitantes, chiroteantes. Igualzinho a gafanhotos, mas mais deliberados. Como se conversassem entre si, faz sentido. A que tinha o recipiente se levantou, e todas elas viraram e começaram a andar de volta em direção à nave. Aquele movimento suave e mecânico de novo. Dava pra ver que tinham quatro dedos em cada mão, dedos compridos e finos. Sem sapatos que eu pudesse ver, mas era difícil dizer com aquela luz laranja. Chegaram à nave e uma delas tocou algo no lado. Uma abertura apareceu, simplesmente se materializou, sem porta balançando ou nada. Elas entraram, uma por uma. A abertura se fechou atrás delas. E então o zumbido mudou. Ficou mais alto, mais agudo.
[ A história continua no jogo completo... ]