A Abdução das Montanhas Brancas

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Oi, boa noite. Sou pesquisadora do paranormal, trabalho com isso há uns quinze anos, e tem um caso que simplesmente não me larga. Aconteceu em setembro de 1961, com um casal chamado Clara e Marcus Hayes. Os dois já faleceram, mas o que aconteceu com eles naquela noite nas White Mountains mudou tudo que a gente achava que sabia sobre encontros imediatos. Os Hayes moravam em Portsmouth, New Hampshire. Clara era assistente social, cuidava de casos de proteção à infância — trabalho pesado. Marcus era carteiro, dirigia quase cem quilômetros por dia, no turno da noite. Eram um casal inter-racial, o que em 1961 não era nada fácil, sabe? Os dois eram ativos na NAACP, comprometidos de verdade com o movimento pelos direitos civis. Tinham casado há cerca de dezesseis meses quando resolveram fazer uma lua de mel atrasada, foram até Montreal e as Cataratas do Niágara. Foi espontâneo — tavam tão ocupados que nem tiveram tempo de ir ao banco antes de fechar. Saíram com menos de setenta dólares no bolso. Na noite de 19 de setembro, pararam num restaurante em Vermont lá pelas dez da noite. Tavam na estrada há três dias e queriam só empurrar e chegar em casa. Marcus achou que se conseguissem se adiantar ao tempo de um furacão que se aproximava, dava pra chegar em Portsmouth lá entre duas e três da manhã. O cachorro deles, Shep, tava junto no carro — um Chevrolet Bel Air 1957.

Aí eles tão descendo a Route 3, cortando pelas White Mountains, quando Clara repara numa luz brilhante no céu. No começo ela pensa que é uma estrela cadente, mas a luz tá subindo, não caindo. E vai ficando maior e mais intensa a cada quilômetro que percorrem. Marcus era veterano da Segunda Guerra, apaixonado por aviação, cara muito perspicaz. Ele fala pra Clara que provavelmente é só um satélite fora de curso. Nada pra se preocupar. Mas o negócio é que essa luz ficou seguindo eles. Sumia atrás das árvores, desaparecia por trás de uma crista de montanha, e reaparecia momentos depois. Às vezes parecia se aproximar, depois recuava — como se tivesse brincando algum tipo de jogo. Marcus continuou dirigindo, mas os dois foram ficando cada vez mais inquietos. Aí a curiosidade falou mais alto. Pararam numa área de piquenique logo ao sul de Twin Mountain. Clara pegou o binóculo que tinham no carro. Pelo binóculo, dava pra ver que aquilo não era satélite nenhum. Era um objeto, girando no ar, piscando luzes de várias cores. Ela falou pra Marcus: se você ainda acha que isso é satélite, você tá sendo completamente ridículo. E ele sabia que ela tinha razão. A noite estava quieta demais pra ser helicóptero ou avião. Não havia som algum. Voltaram pro carro e continuaram dirigindo, mais devagar agora, tentando não perder o objeto de vista.

Umas cento e dez quilômetros depois daquele restaurante, perto de um lugar chamado Indian Head na Route 3, o objeto de repente mergulhou. Veio direto em cima deles, pairando talvez a trinta metros acima do carro. Marcus pisou o freio bem no meio da rodovia. Tinha uma pistola escondida embaixo do banco — tirou e enfiou no bolso, depois caminhou até um campo escuro à beira da estrada. Clara ficou no carro com Shep. Marcus olhou pra aquela coisa com o binóculo, e o que viu ele descreveu depois como sendo grande quanto um jato, mas achatado como uma panqueca. E tinha janelas, fileiras de janelas, e por trás delas ele conseguia ver figuras. Seres. Com uniformes cinzas. De oito a onze deles, ele disse. Estavam olhando direto pra ele. Um ficou na janela enquanto os outros foram pro fundo. E Marcus disse que ouviu uma voz na cabeça, mandando ele ficar onde estava e continuar olhando. ficar lá sozinho parece aterrorizante - Lucas' Ele tentou alcançar a pistola no bolso, mas a mão não obedecia. Não conseguia levantá-la. Foi aí que entrou em pânico. Pensou consigo mesmo: a gente vai ser capturado. Correu de volta pro carro gritando, completamente histérico, e eles saíram em disparada pela estrada. Clara tava se debruçando pela janela tentando rastrear pra onde a nave foi. E aí, sem nenhum aviso, ouviram esses sons altos e rítmicos de bipes vindo do porta-malas do carro. Os dois sentiram uma sonolência avassaladora tomar conta deles, e depois... nada. Simplesmente apagaram.

[ A história continua no jogo completo... ]

Experiencie a História Completa

Ouça o relato completo de Morgan em Across The Airwaves.
Um jogo de simulação narrativa de rádio paranormal noturno — com muito mais histórias para descobrir. Disponível no Itch.io.