Boa noite. Isso aconteceu comigo em 1978, e as pessoas ainda me perguntam sobre isso até hoje. Mudou minha vida completamente. Eu tinha 26 anos, trabalhava como vigilante particular na região de Gênova. Ronda noturna, verificação de propriedades — a rotina de sempre, que eu já tinha feito centenas de vezes. Dia seis de dezembro. Fazia frio, geava de verdade. Tava fazendo minha ronda perto de Torriglia, verificando uma villa chamada Villa Rossi. O dentista dono do lugar tava viajando, então eu passava por lá algumas vezes por turno pra garantir que estava tudo certo. Lá pelas onze e meia da noite, dirigindo em direção à propriedade, vi essas quatro luzes no jardim. Meu primeiro pensamento foi ladrões. Fazia sentido — casa vazia, luzes se movendo. Chamei meu supervisor Franco pelo rádio, disse que ia verificar. Peguei a lanterna e a pistola, equipamento padrão do serviço, e saí do carro pra investigar.
Escalei a cerca e subi num muro de pedra baixo que corria ao longo do limite da propriedade. Me movia em silêncio, tentando pegar quem quer que estivesse lá dentro antes que percebessem minha presença. Ainda conseguia ver aquelas luzes, as quatro delas, se movendo nos fundos da casa. Eu tava pensando em como ia me aproximar, sabe, a melhor forma de lidar com vários suspeitos. Aí algo tocou meu ombro por trás. Me virei rápido, esperando ver um do bando tentando me pegar de surpresa. O que vi no lugar disso... não tem como se preparar pra algo assim. Parada ali na minha frente estava uma criatura. Enorme. Devia ter uns três metros de altura, uns dez pés. Pele verde, escamosa como réptil, mas enrugada também — como se fosse muito velha. Os olhos eram triangulares, amarelos, com veias vermelhas grossas visíveis pela testa. Simplesmente travei. A lanterna caiu da minha mão. Aquela coisa tinha feições pontiagudas nas laterais do rosto, e em volta da boca havia algum tipo de dispositivo respiratório. A pele parecia frouxa, quase como se estivesse usando uma roupa que não servia direito. E encarava direto pra mim com aqueles olhos amarelos. Me abaixei, peguei a lanterna, e corri. Corri mais rápido do que já corri na vida de volta pro carro.
Enquanto fugia, o chão na minha frente se iluminou todo. Uma luz intensa, forte. Olhei pra trás e havia um objeto de forma triangular subindo no ar de trás da villa. Uma coisa enorme. Enquanto subia, ouvi esse som de chiado alto, e aí uma onda de calor me acertou. Calor intenso, quase me derrubou mesmo com aquela temperatura congelante lá fora. Consegui chegar ao carro e agarrar o rádio. Tava gritando pra Franco, tentando explicar o que tinha acabado de ver. Ele me disse depois que não conseguia entender nada do que eu falava, só que eu tava apavorado. Ele ficou perguntando se eu tava sendo atacado por homens. Lembro de ter dito 'Non sono uomini.' Não são homens. Depois devo ter desmaecido porque o que lembro a seguir é acordar no chão com dois dos meus colegas parados do meu lado. Pietro e Luca tinham vindo checar em mim. Franco os mandou depois de perder contato. Eles disseram que quando me encontraram lá pela uma da manhã, eu tava deitado no chão na frente da villa, inconsciente. E tem uma coisa que eles não conseguiram explicar. Era dezembro, fazia muito frio naquela noite, e eu tinha ficado do lado de fora por mais de uma hora. Mas quando tocaram nas minhas roupas, no meu casaco, tava tudo quente. roupas quentes com aquele frio é muito estranho - Rita' Quente mesmo. Como se eu tivesse ficado parado do lado de um aquecedor.
[ A história continua no jogo completo... ]