Invasão da Transmissão de Max Headroom

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Eu estava no turno da noite na WTTW em novembro de 87. Emissora PBS de Chicago, sabe. Estava lá há uns dois anos naquele ponto, fazendo trabalho técnico, manutenção de equipamentos, esse tipo de coisa. As noites de domingo costumavam ser tranquilas. Mortas, na verdade. O dia 22 de novembro começou normal o suficiente. Lembro porque estava um frio de rachar naquela noite, novembro típico de Chicago. Tinha pegado café no caminho, queimei a língua nele. Enfim, estávamos transmitindo Doctor Who naquela noite. Horror de Fang Rock, acho que se chamava. Por volta das onze e quinze da noite, estava monitorando o sinal na nossa sala de controle quando algo deu errado com a imagem. A princípio achei que era só problema técnico. A tela começou a piscar, sabe, como quando você perde o sinal. Mas aí cortou para uma imagem que nunca vou esquecer. Um cara com uma máscara do Max Headroom, aquela coisa de borracha com óculos escuros, balançando de um lado para o outro na frente de um fundo de metal corrugado girando. O negócio todo tinha um zumbido grave e constante.

Bom, Max Headroom era muito famoso na época. Tinha um programa de TV, comerciais para a New Coke, tudo. Mas aquele não era o Max de verdade. Era alguém usando uma máscara barata, e a voz estava toda distorcida, incompreensível. Ele começou a divagar, fazendo referências esquisitas. Chamou um narrador esportivo da WGN de liberal, cantarolou o tema do Clutch Cargo, reclamou de hemorroidas. Eu estou sentado na sala de controle com mais dois caras, e todos nós estamos paralisados. Sabíamos imediatamente que aquilo não deveria estar acontecendo. Devia ter sido tenso para quem estava de plantão naquele momento. Um dos engenheiros tentou cortar o sinal, mudar para o backup, qualquer coisa. Mas tínhamos um problema. Ninguém estava na Torre Sears naquela noite. Era lá que estava nosso transmissor, bem no alto do prédio. Sem ninguém lá, não conseguíamos sobrepor o sinal. A coisa toda durou uns 90 segundos, mas pareceu uma eternidade. Esse cara mascarado continuava, ficando cada vez mais estranho. Em certo momento abaixou as calças, mostrou as nádegas para a câmera. Tinha uma mulher lá também, parecia que usava uma fantasia de empregada francesa ou algo assim, e ela começou a bater nele com um mata-moscas. Ele gritando 'Estão vindo me pegar!' e ela respondendo alguma coisa. Depois cortou. Estática por um segundo, e voltamos ao Doctor Who como se nada tivesse acontecido.

Os telefones explodiram imediatamente. Quer dizer, imediatamente. Telespectadores ligando, perguntando o que diabos acabaram de ver. Algumas pessoas ficaram com raiva, achavam que tínhamos exibido nudez na televisão pública. Outros estavam simplesmente confusos. Um cara nos disse que queria esmagar o televisor por causa disso. O que as pessoas não entendem é o quanto era difícil fazer aquilo acontecer. Não dá para sequestrar um sinal de transmissão com equipamentos de loja de eletrônicos. Quem fez isso teve que sobrepor nossa transmissão com um sinal de micro-ondas mais forte. Isso significa equipamentos sérios, coisas caras. Estamos falando de talvez 25.000 dólares em equipamentos, no mínimo. E precisavam estar dentro da linha de visada do transmissor da Torre Sears. Que fica a 443 metros de altura no centro de Chicago. Na manhã seguinte, a FCC estava em cima de nós. O FBI também. Queriam saber tudo. Como aconteceu, quem tinha acesso, que tipo de equipamento seria necessário. Nossos engenheiros explicaram que tinha que ser alguém com conhecimento técnico sério. Um engenheiro de transmissão, engenheiro de satélite, talvez um operador de radioamador. Provavelmente uma combinação de pelo menos dois desses conjuntos de habilidades para puxar algo assim.

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