Boa noite. Passei trinta anos como oceanógrafo no Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico da NOAA. Estou aposentado agora, mas há algo que aconteceu em 97 sobre o qual ainda penso. Algo que ouvi. E é isso — ouvi muitos sons estranhos ao longo da minha carreira, mas nada como esse. Então naquela época, estávamos operando o que se chama de rede de hidrofones autônomos do Oceano Pacífico Equatorial. Basicamente uma rede de microfones subaquáticos espalhados por milhares de quilômetros de oceano. O equipamento originalmente veio da Marinha, resquícios da Guerra Fria projetados para rastrear submarinos soviéticos. Depois que a Guerra Fria terminou, eles nos cederam para os cientistas. Usávamos para monitorar atividade vulcânica, terremotos, migrações de baleias. Um trabalho fascinante. Você ficaria espantado com o que se consegue ouvir lá embaixo. O oceano é barulhento de maneiras que a maioria das pessoas nunca percebe. Já fazia isso há anos. Sabia como as baleias soavam. Sabia como os vulcões submarinos soavam. Sabia como soavam os motores de navios, os guindastes de barcos de pesca e os icebergs se desprendendo. Cada som tem sua própria assinatura, sabe? Com o tempo você os identifica sem nem pensar.
Foi no verão de 1997 que captamos aquilo. Nossos hidrofones estavam posicionados a mais de três mil quilômetros de distância pelo Pacífico, e esse som — ele atingiu cada um deles. Lembro do momento exato. Estava revisando as gravações do dia e de repente havia esse... ruído. Um som profundo e crescente que durou cerca de um minuto. Aceleramos dezesseis vezes só para ouvi-lo adequadamente porque a frequência era muito baixa. E quando o fizemos, soou como, bem, como um bloop. Foi assim que começamos a chamá-lo. Em uns dez, quinze minutos, toda a minha equipe estava reunida ao redor. Umas doze pessoas, todas encarando o espectrograma, tentando entender o que estavam vendo. O som se originou em algum lugar no Pacífico Sul remoto, a cerca de dois mil e quatrocentos quilômetros a oeste da ponta sul do Chile. Um dos lugares mais isolados do planeta inteiro. Nada por lá. Nada. E aqui está a questão — isso não era apenas incomum. Era um dos sons subaquáticos mais altos já registrados. Para ser detectado por sensores a cinco mil quilômetros de distância, tinha que ser incrivelmente poderoso. Muito mais poderoso do que qualquer coisa que tínhamos encontrado.
O perfil do som, a forma como ele subia em frequência, a variação no tom — parecia biológico. Parecia algo que uma criatura viva faria. Como chamados de baleia, de certa forma. Mas aqui está o problema. A baleia-azul é o maior animal da Terra. Uns trinta metros de comprimento, a criatura mais barulhenta que conhecemos. Seja lá o que fez o Bloop teria que ser muito, muito maior. Ou de alguma forma muito mais eficiente na produção de som. Estamos falando de algo que tornaria tudo o que já vimos minúsculo. Fui à Inteligência Naval. Achei que talvez fosse algum teste militar classificado, um submarino, uma explosão, alguma coisa. Eles voltaram e disseram que não. Não era eles. Não era nenhuma fonte artificial que conhecessem. Então descartamos origem humana. Descartamos eventos geológicos conhecidos como vulcões ou terremotos. A assinatura estava errada para todos esses. E não conseguimos equipará-lo a nenhum animal que soubéssemos existir. Vou ser honesto com você. Meu instinto me disse que era biológico. A variação rápida em frequência — é isso que seres vivos fazem. É assim que animais marinhos se comunicam. Mas a escala, o puro poder disso. Eu não conseguia explicar. Ninguém conseguia. Ficamos ouvindo por meses depois, esperando ouvi-lo de novo. Nunca ouvimos. Só aquela vez, aquele minuto, e depois silêncio.
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