Espero que algum dos seus ouvintes tenha passado por algo parecido também. Porque, e aqui está a questão, me senti tão sozinho com isso por anos. Em 2012, eu estava em Sechelt visitando uns amigos, e foi quando ouvi pela primeira vez. Um zumbido de baixa frequência, como um motor diesel ligado em marcha lenta por perto. Lembro de olhar ao redor, achando que eram hidroaviões na água. Sabe, recebemos muitos hidroaviões aqui na Costa do Sol. Mas o som não foi embora. Me seguiu de volta para Gibsons, onde moro. Ouvia principalmente à noite, deitado na cama. Aquele ronco constante, ronco, ronco. Como alguém que deixou um caminhão ligado lá fora, só que não havia nenhum caminhão. Levantava, olhava pela janela, circulava a casa. Nada. O som estava em todo lugar e em lugar nenhum ao mesmo tempo. No começo, achei que estava perdendo a cabeça. Sou professor, também fiz algum trabalho na UBC. Sou uma pessoa racional. Mas esse barulho, estava me enlouquecendo. Era mais alto à noite, e era sempre pior em ambientes fechados do que ao ar livre. Algumas noites não conseguia dormir nada.
Então fiz o que qualquer um faz hoje em dia. Pesquisei no Google. Digitei algo como 'zumbido de baixa frequência' e, juro, toda a minha perspectiva mudou instantaneamente. Páginas e páginas de resultados. Descobri que não estava sozinho. Nem perto disso. Chama-se O Zumbido. Com Z maiúsculo. Também ouço, começou para mim em 2014 — Felix. E pessoas do mundo inteiro têm ouvido isso há décadas. Bristol, na Inglaterra, nos anos 1970. Taos, no Novo México, no início dos anos 1990. Windsor, em Ontario. Sydney, na Austrália. Todos esses lugares diferentes, todas essas pessoas descrevendo exatamente a mesma coisa que eu estava vivenciando. As descrições eram idênticas ao que eu ouvia. Um ronco baixo, entre cerca de 30 e 40 hertz. Algumas pessoas compararam a um motor diesel em marcha lenta, outras disseram que era como um rugido distante. Mas a coisa fundamental, o que me fez perceber que isso era real, era que só certas pessoas conseguem ouvir. Cerca de dois por cento da população em qualquer área específica. E é mais comum em pessoas de meia-idade, geralmente entre 55 e 70 anos, embora eu fosse mais novo quando comecei a ouvi-lo.
Comecei a ler tudo o que conseguia encontrar. Artigos acadêmicos, posts em fóruns, artigos de notícias. Quanto mais pesquisava, mais fascinado ficava. Isso não era apenas algum fenômeno aleatório. Era algo real, algo mensurável, algo que tem afetado pessoas há pelo menos cinquenta ou sessenta anos. No início dos anos 1990, pesquisadores em Taos, no Novo México, fizeram um estudo inteiro. Descobriram que cerca de dois por cento da população local conseguia ouvir, cada pessoa em uma frequência ligeiramente diferente, em algum lugar entre 32 e 80 hertz. Trouxeram equipamentos, fizeram monitoramento acústico, entrevistaram dezenas de pessoas. E não conseguiram descobrir o que estava causando. E eis o ponto: as pessoas que ouvem O Zumbido não são loucas. Temos audição normal. Não é zumbido no ouvido, que é o que os médicos sempre querem culpar. Zumbido é um assobio agudo. Isso é um ronco grave. Completamente diferente. E além disso, várias pessoas na mesma área conseguem ouvir O Zumbido ao mesmo tempo. Não é assim que o zumbido no ouvido funciona.
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