Olha. Deixa eu ser claro desde o começo, não estou pedindo pra você acreditar em mim. Estou apenas contando o que aconteceu. Meu nome é Frank, e lá em agosto de 1955, eu usava meu apelido, Lucky. Dusty Sullivan. Tinha vinte e dois anos, trabalhando no circuito de feiras com minha esposa Vera. Tínhamos voltado para visitar minha mãe na fazenda dela perto de Kelly. É um lugarejo perto de Hopkinsville, no Christian County, se você conhece a região. Era uma tarde de domingo, 21 de agosto. Um calor dos diabos, daquelas noites de verão no Kentucky em que o ar pousa sobre você. Minha mãe Ginny tinha a família toda lá naquele fim de semana. Meu irmão mais novo JC e sua esposa Alene, os três filhos mais novos da minha mãe, Lonnie, Charlton e Mary. O irmão da Alene, OP, também estava de visita. E aí tinha Bobby Joe Tucker e a esposa June. Bobby Joe tinha trabalhado na feira comigo e com a Vera, grande amigo meu. Tínhamos convidado eles para o fim de semana. A casa era só aquele lugar de três cômodos sem pintura. Sem água encanada, sem telefone, sem rádio, sem televisão. A gente não tinha muito, mas era o lar. Tínhamos jantado farto naquele domingo, coisa que minha mãe preparou, e depois ficamos todos sentados jogando baralho, conversando, tentando nos refrescar. Devia ser umas sete horas quando Bobby Joe disse que ia lá fora no poço buscar água.
Ele voltou uns cinco minutos depois todo agitado. Disse que tinha acabado de ver algo no céu, vindo direto em cima da casa. Descreveu como muito brilhante, prateado, com uma exaustão deixando um rastro em todas essas cores de arco-íris. Disse que passou direto sobre a casa, parou no ar, depois desceu reto até o chão em algum lugar atrás da propriedade. Fez um som de assobio, ele disse, mas sem explosão. Acontece que Bobby Joe era conhecido por contar histórias exageradas, então nenhum de nós realmente acreditou nele. Minha mãe deu risada e voltamos pro baralho. Mas cerca de uma hora depois, talvez um pouco depois das oito, os cachorros começaram a enlouquecer. Latindo como se tivesse algo lá fora. Eu e Bobby Joe fomos até a porta dos fundos ver o que tinha deixado eles tão agitados. Foi aí que vimos o primeiro. Olha, nunca vou esquecer o que vi. Havia aquele brilho lá no quintal, e no meio havia uma figura pequena. Devia ter uns um metro e pouco de altura, com uma cabeça enorme e redonda, quase perfeitamente redonda. Os braços pendiam quase até o chão. As mãos, elas tinham aquelas garras, como talões. E os olhos. Os olhos brilhavam numa cor amarelada, brilhante o suficiente pra enxergar de onde estávamos. O corpo todo tinha aquele brilho, como se fosse feito de metal prateado. Como o cromado de uma geladeira, essa é a melhor descrição que tenho.
Peguei minha espingarda calibre vinte. Bobby Joe pegou o rifle calibre vinte e dois. Quando aquela coisa começou a se mover em direção à porta dos fundos, de mãos para cima como se estivesse se rendendo, os dois atiramos.[ Sou um bom atirador. Sei que acertei. Mas quando o tiro acertou, fez aquele som, como bala atingindo um balde de metal. A coisa deu uma pirueta pra trás, depois se levantou e correu para a escuridão. Achamos que tinha acabado. Mas alguns minutos depois, Bobby Joe viu outro na janela lateral. Parado lá, nos espiando. Ele atirou[ pela tela, e de novo, aquele som metálico quando as balas acertaram. A coisa capotou e desapareceu. Minha mãe saiu para o corredor, abaixada do nosso lado. Ela viu um se aproximando da porta e descreveu igualzinho ao que eu disse. Disse que parecia um galão de gasolina de vinte litros com uma cabeça por cima e perninhas. Durante as três horas seguintes, foi como se estivéssemos sitiados. Eles ficavam voltando, aquelas coisas. A gente via um na janela, atirava, ele se mandava. Outro aparecia numa janela ou porta diferente. Num certo momento, Bobby Joe saiu lá fora sob o pequeno beiral perto da porta dos fundos. O resto de nós estava bem atrás dele, e juro, todos vimos aquela mão com garras descer do telhado e tocar o cabelo dele. Puxamos ele de volta pra dentro, atirei pra cima no beiral. Depois vi outro na árvore perto da casa. Atirei nele, e a coisa simplesmente flutuou até o chão como se não fosse nada, depois se mandou para o mato.
[ A história continua no jogo completo... ]