O Povo Cogumelo

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Ei. Fico pensando se devia ligar sobre isso faz um tempo. Aconteceu quando eu tinha onze anos, em 1996. Morávamos perto de Bellingham, Washington, numa casa velha que dava direto pra floresta. Floresta densa, do tipo onde você pode andar por horas e não ver uma única pessoa. Era início de março, ainda frio, manchas de neve no chão nas áreas de sombra. Minha amiga Sarah tinha se mudado no mês anterior, então era só eu explorando sozinho naquele dia. Minha mãe disse pra ficar perto de casa, mas estava entediado, sabe? Queria ver até onde ia a floresta. Lembro que estava com minha jaqueta roxa. A de capuz grande demais pra mim. Tinha guardado alguns biscoitos no bolso, como se fosse numa grande expedição. Só vagando por aí, olhando pras coisas do jeito que crianças fazem.

Tinha caminhado uns vinte minutos quando encontrei essa clareira. Não grande, uns cinco metros de largura, mas diferente do resto da floresta. Mais quieta de alguma forma. As árvores ao redor eram esses imensos abetos de crescimento antigo, e no meio havia um conjunto de troncos caídos. Apodrecendo, cobertos de musgo, aquele musgo verde-escuro que cresce espesso no Pacífico Noroeste. E cogumelos. Por todo lado. Crescendo nos troncos, brotando pelo musgo, agrupados nas bases das árvores. Já tinha visto cogumelos na floresta antes, mas nunca tantos. Nunca tão denso. Era como se a clareira inteira fosse uma grande colônia de cogumelos. Me aproximei, agachei pra ver melhor. Foi aí que notei o movimento.

A princípio achei que fossem insetos. Pequenos clarões de movimento entre as tampas dos cogumelos. Mas então vi um claramente. Só por um segundo, antes de mergulhar de volta sob uma prateleira de fungo. Era uma pessoa. Uma pessoinha, uns oito centímetros de altura. Mas errada. Tudo errado. O corpo estava retorcido, dobrado em ângulos que não faziam sentido. Braços longos demais, pernas tortas. E o rosto. Nunca vou esquecer aquele rosto. Tinha a estrutura de cabeça de mosca. Bojudo, coberto do que pareciam dezenas de olhinhos pretos. Olhos demais. Eles captavam a luz, todos aqueles reflexinhos me encarando. A boca também estava errada, aquela coisa clicando e se contorcendo que se movia constantemente. Fiquei paralisado. Não me movi, não respirei. Só observei. eram minúsculos demais para qualquer explicação - Criança'

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