Olá. Fiquei em dúvida sobre ligar a respeito disso, mas acho que as pessoas deveriam ouvir. Então aqui está. Foi em 1994. Eu trabalhava em uma casa de cuidados nos arredores de Terre Haute. Não vou dizer o nome, mas ainda está em funcionamento, tanto quanto sei. Cuidados de longa duração, cuidados no fim da vida, esse tipo de lugar. Principalmente pacientes idosos. Eu estava lá há cerca de oito meses quando isso começou. Eu fazia o turno da noite na ala leste sozinha. Só eu. Eles nunca conseguiam manter pessoal naquela ala, e logo entendi por quê. A ala leste era onde colocavam os pacientes que não tinham ninguém. Nenhuma família vindo visitar. Ninguém para chamar quando as coisas pioravam. Os quartos tinham essas cortinas blackout pesadas, tecido grosso, porque muitos pacientes tinham dificuldade para dormir e qualquer luz os perturbava. As mantínhamos fechadas o tempo todo. Acho que nunca vi essas cortinas abertas durante todo o tempo que trabalhei lá. Na minha primeira semana, uma das enfermeiras do turno diurno, Patty, me chamou de lado. Perguntou se alguém tinha me explicado as regras da ala. Achei que ela queria dizer sobre horários de medicamentos, verificação de sinais vitais, esse tipo de coisa. Ela ficou com uma expressão específica no rosto. Disse que não. Disse que havia outras regras.
Patty me contou que quando um paciente na ala leste estava próximo, quero dizer realmente próximo, como a poucas horas, eu precisava abrir a janela do quarto dele. Mesmo no inverno. Mesmo que estivesse gelando. Ela disse que todos que tinham trabalhado naquela ala sabiam disso. A janela precisava estar aberta antes da meia-noite, senão aquilo entraria em vez de ficar do lado de fora. Perguntei o que ela queria dizer com 'aquilo'. E eu sei como isso soa, fazer uma pergunta assim e esperar uma resposta real. Mas ela estava completamente séria. Disse que havia algo que vinha buscar aqueles que morriam sozinhos. Os que não tinham família. Esperava do lado de fora da janela deles, e enquanto a janela estivesse aberta, ficaria lá. Observaria. Mas não entraria. Se a janela estivesse fechada, se você esquecesse ou não soubesse, aquilo entraria no quarto. E qualquer que fosse o resultado, o corpo ficaria com uma aparência estranha. Não machucado exatamente. Apenas errado. O rosto ficaria diferente. Patty disse que tinha visto isso duas vezes em onze anos. Disse que nunca esqueceria aqueles rostos. Achei que era um trote. Eu sei como isso soa. Novata, turno da noite, histórias assustadoras. Clássico.
Mas então outros funcionários começaram a dizer as mesmas coisas. Não de forma dramática, apenas com naturalidade. Como se estivessem me dizendo onde ficava o armário de suprimentos. Se os sinais vitais de alguém estiverem caindo e ele estiver sozinho, abra a janela. Não esqueça. O zelador, as outras enfermeiras, até a administradora mencionou certa vez de passagem. Todo mundo sabia. A primeira vez que realmente fiz isso, foi para um homem chamado Sr. Brennan. Noventa e um anos, sem família viva, sem uma visita nos três anos em que estava lá. Sua respiração mudou por volta das nove daquela noite. Sabia que ele não passaria da manhã. Então fui ao quarto dele e abri a janela. Era fevereiro. Um frio de rachar. Me senti mal por isso, mas fiz mesmo assim. Fiquei lá por um minuto, olhando para o estacionamento. Nada. Apenas a escuridão e o ar frio entrando. Me senti idiota. Fechei a porta atrás de mim e voltei para o posto de enfermagem. Ele morreu por volta das três da manhã. Tranquilo, disseram. Quando entrei para registrar o óbito, o quarto estava congelando. A janela ainda estava aberta. E eu juro, eu sei como isso soa, mas havia marcas do lado de fora do parapeito da janela. Como se algo tivesse estado se agarrando a ele.
[ A história continua no jogo completo... ]