O Outro Dennis

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Isso aconteceu em março de 2003. Eu morava nessa casa havia cerca de oito meses. É um lugar mais antigo, construído na década de 1950, nada de luxo. Estilo rancho, porão completo. Comprei barato porque o dono anterior havia falecido e a família queria se livrar logo. Era assim. O porão era inacabado. Piso de concreto, vigas expostas, esse tipo de coisa. Eu tinha descido lá talvez umas doze vezes desde que me mudei. Principalmente só para verificar o aquecedor de água ou jogar algumas caixas no depósito. Era úmido, cheirava a concreto velho, e eu não passava mais tempo do que o necessário lá embaixo. Mas naquele março, comecei a ouvir sons. Tarde da noite, por volta das 2 ou 3 da manhã. Sons baixos, mais como alguém se movendo lá embaixo. Passos, talvez. Ou algo sendo arrastado pelo chão. Descia com uma lanterna, verificava, não encontrava nada. Isso durou cerca de uma semana.

Uma noite, era 18 de março, lembro porque era o aniversário da minha irmã e eu tinha ligado para ela mais cedo naquele dia, ouvi de novo. Aquele som de arrastar. Mas desta vez havia algo mais. Um zumbido. Baixa frequência, como transformadores elétricos fazem, mas mais constante. Mais deliberado. Fui para baixo. Estava frio lá, mais frio que de costume. Conseguia ver minha respiração. O zumbido vinha do canto dos fundos, atrás da antiga fornalha. Eu não tinha ido até lá nos últimos meses. Sem motivo. Mas fui, e foi aí que vi. Havia luz vindo através da parede. Não por uma rachadura ou um buraco. A luz era parte da própria parede. Parecia como se alguém tivesse cortado uma passagem no concreto, exceto que em vez de outro cômodo, havia apenas essa superfície ondulante e cintilante. Como olhar para o fundo de uma piscina num dia de sol, aquele tipo de luz tremulante.

Fiquei parado por não sei quanto tempo. O zumbido ficou mais alto à medida que me aproximei. Meus ouvidos zumbiam com ele. E conseguia sentir calor vindo daquela coisa, o que não fazia sentido porque o porão estava congelando. Mas o ar bem na frente dessa parede de luz estava quente. Quase quente demais. Estendi a mão e a toquei. Não sei por quê. Curiosidade, acho. Estupidez, provavelmente. A superfície parecia água, mas não estava molhada. Minha mão atravessou. Direto, até o pulso, e do outro lado senti carpete. Carpete no meu porão de concreto. Então passei para o outro lado. Completamente. Saí em um porão que parecia exatamente com o meu. Mesmas dimensões, mesmo layout. Mas era acabado. Piso carpetado, drywall nas paredes, forro de isopor com luminárias fluorescentes. Tudo estava limpo, organizado. Havia prateleiras com livros e caixas, tudo rotulado. Uma bancada de trabalho com ferramentas penduradas num painel perfurado. Parecia que alguém realmente usava aquele espaço.

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