A Outra Margaret

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Olá. Estou ligando sobre algo que aconteceu comigo recentemente. Começou uns três meses atrás, logo depois do meu septuagésimo quarto aniversário. Moro sozinha agora. Faz seis anos, desde que Harold faleceu. A casa fica quieta, sabe. Você se acostuma. Meu quarto tem esse espelho de corpo inteiro, uma peça antiga com moldura de cerejeira. Harold comprou num leilão de espólio quando nos mudamos para Connecticut. Quarenta e três anos com esse espelho. Sempre ficou ali no canto perto da janela, pega a luz da manhã. A primeira vez que notei algo estranho, eu estava me preparando para dormir. Uma noite normal, nada de incomum. Passei pelo espelho e peguei meu reflexo e algo me fez parar. Fiquei parada olhando para mim mesma. E então meu reflexo me fez um piscadela. Não foi um tremor. Não foram olhos cansados pregando peças. Uma piscadela deliberada e lenta. Como se compartilhássemos um segredo.

Na verdade ri num primeiro momento. Achei que estava mais cansada do que percebia. Mas lembro de ficar parada por um bom tempo depois disso, só encarando aquele espelho. Meu reflexo me olhava de volta, normal como sempre. Fui dormir. Tentei não pensar nisso. Duas noites depois aconteceu de novo. Estava parada colocando minha camisola, olhei, e lá estava ela. Ela sorriu para mim. Não o mesmo sorriso que eu fazia. Um sorriso diferente. Mais quente. Mais consciente. Toquei meu rosto e ela tocou o dela, mas havia um atraso. Meio segundo atrás. Como se estivesse seguindo meus movimentos em vez de refletí-los. Foi aí que comecei a prestar atenção de verdade. Toda noite quando passava por aquele espelho, procurava por ela. E ela estava sempre lá, sempre ligeiramente diferente do que eu esperava. Às vezes inclinava a cabeça antes de eu inclinar. Às vezes sua expressão mudava tarde demais.

Na terceira semana, as diferenças ficaram mais óbvias. Eu estaria usando meu cardigã azul e ela estaria usando o cinza. Eu estaria com meu óculos de leitura e o dela estaria erguido sobre a cabeça. Coisas pequenas, mas estavam lá. Uma noite fiquei diante daquele espelho por talvez vinte minutos só observando. Ela fazia a maior parte das mesmas coisas que eu fazia. Mas havia essas pequenas variações. Ela escovaria o cabelo no lado oposto. Ajustaria seu colarinho de forma diferente. Era como observar uma versão de mim mesma que tinha feito escolhas levemente diferentes. Comecei a falar com ela. Diria bom dia, boa noite, coisas assim. E eu juro que ela respondia. Não com palavras. Só esses gestos pequenos. Um aceno. Um olhar que dizia que ela entendia. Depois de um tempo pareceu normal. Natural. Como se eu tivesse encontrado uma espécie de companheira. Alguém que sabia como era ser eu porque vivia uma versão paralela da minha vida. viver uma vida espelhada paralela é de partir o coração - Filha'

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