A Dissolução Prismática

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Ei. Isso é algo que guardei para mim por mais de trinta anos. Minha esposa faleceu na primavera passada, e eu pensei: qual é o sentido agora? Quem vai atrás de um homem de setenta e três anos morando sozinho em Reno? Então cá estou eu. De 1987 a 1994, trabalhei para uma agência chamada Prismatic. Você não vai encontrá-la em nenhum diretório governamental. Não vai encontrar ninguém que admita que ela existiu. Mas existia. E eu estava lá. Trabalhei exclusivamente no turno da noite o tempo todo. Das dezoito às seis da manhã, rotações de doze horas, três dias de trabalho, quatro de folga. Nunca vi a luz do dia durante o expediente, nem uma vez em sete anos. Era proposital. A maior parte do que acontecia lá acontecia à noite, se é que isso faz algum sentido. Eles queriam manter certo pessoal separado de certas... operações.

A instalação foi construída na encosta de uma montanha a cerca de cento e quarenta e cinco quilômetros a nordeste daqui. Por fora parecia uma mina abandonada. Equipamentos enferrujados, placas de interdição, tudo montado. Mas você passava pelo terceiro galpão, pegava uma estrada de serviço que não estava em nenhum mapa, e havia um posto de controle. Depois outro. Depois um elevador que descia. Eu era da área administrativa. Logística, arquivamento, coordenação da cadeia de suprimentos. Nada glamoroso. Não era um dos cientistas nem dos especialistas em entrevistas. Só me certificava de que a papelada certa chegasse ao lugar certo e de que os formulários de requisição fossem processados. Mas quando você trabalha num lugar assim, você ouve coisas. Você vê coisas. Mesmo quando não deveria.

Eles tinham um ser lá. Era assim que chamávamos. O Ser. Nunca um nome, nunca uma designação de espécie que eu tenha ouvido. Apenas o Ser. Eu nunca o vi diretamente. Minha autorização não se estendia ao nível de contenção. Mas eu processava as transcrições das entrevistas. Centenas delas ao longo dos anos. E o detalhe dessas transcrições é que elas não eram como entrevistas normais. Não havia aspas. Nenhum 'o sujeito disse' ou 'o sujeito respondeu.' Porque o Ser não falava. Não com som. Tudo o que ele comunicava era feito através do pensamento. Transmissão telepática pura. O entrevistador fazia uma pergunta em voz alta, e a resposta simplesmente... aparecia na mente dele. Eles escreviam o que recebiam. Não existiam gravações de áudio porque não havia nada a gravar. Silêncio absoluto naquela sala, em cada sessão. Os cientistas chamavam de 'interface cognitiva direta.' Eu chamava de aterrorizante. Mas era essa a natureza da coisa. Sem boca, sem aparelho vocal, sem nenhum som. Só pensamento.

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