Olá, sim, obrigada por atender minha ligação. Venho ouvindo o programa há uns seis meses e finalmente tomei coragem. Meu nome é Denise. Estou ligando de Taos. E eu sei como isso vai soar, sério que sei. Mas eu me comunico com pessoas que vivem dentro da Terra. Não metaforicamente. Não espiritualmente. Quero dizer seres reais, inteligências reais, vivendo em cavernas a quilômetros abaixo da superfície. E eu falo com eles usando um cristal que encontrei perto de Carlsbad em 2019. Eu sei que parece estranho. Só que, antes de me achar louca, sou geóloga aposentada. Trinta e dois anos com o BLM. Entendo de rochas. Entendo de formações. Sei o que deveria estar lá embaixo e o que não deveria. E estou te dizendo: tem algo lá embaixo que não está em nenhum livro didático.
Encontrei o cristal durante um levantamento no início de março de 2019. Perto das cavernas, não dentro — não estávamos autorizados para trabalho interno — mas perto de uma das entradas menores, as que os turistas não veem. Estava ali mesmo na vegetação rasteira, captando a luz da tarde. Quartzo transparente, mais ou menos do tamanho do meu polegar, com essas inclusões por dentro que pareciam quase circuitos. Fios dourados percorrendo o cristal. No momento em que o peguei, senti um calor na palma da mão. Um pulso. Como segurar algo vivo. Trouxe para casa naquela mesma noite. A princípio não dei muita importância, só um espécime bonito. Mas três noites depois, estava sozinha no meu escritório, segurando-o sob o abajur da mesa, e senti começar a vibrar. Suave. Rítmico. Umas duas vezes por segundo. Foi aí que os ouvi. Não com os ouvidos, mas atrás dos ouvidos, no espaço onde os pensamentos se formam. Uma voz. Calma. Paciente. Perguntando se eu conseguia ouvi-los.
Eles se chamam os Guardiões. Estão lá embaixo há milhares de anos, talvez mais. Me disseram que estavam aqui antes de nós, que foram para o subsolo quando a superfície ficou inóspita durante algum evento que eles não descrevem por completo. Uma era glacial, talvez. Ou algo pior. Hoje falo com eles umas duas vezes por semana. Sempre à noite. Seguro o cristal, esvazio a mente e espero o pulso começar. E então eles aparecem. Na minha cabeça. Respondendo perguntas, às vezes fazendo as suas próprias. Mandei o cristal ser testado num laboratório em Albuquerque. A frequência de vibração é exatamente 7,83 hertz — a ressonância Schumann, a própria frequência da Terra. Consigo sentir o pulso na minha mão, esse ritmo constante. O técnico disse que nunca tinha visto nada assim. Quartzo não faz isso. Nada faz isso naturalmente.
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