O Colega de Quarto

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Oi. Isso aconteceu faz três semanas. Ainda tô tentando processar, honestamente. Sou calouro de segundo ano na UVM, Universidade de Vermont. Moro no alojamento, o que eu sei, a maioria dos alunos do segundo ano pega apartamento, mas eu gostei do meu quarto do primeiro ano e fiquei. Então eu tinha esse colega de quarto, Yosef. Israelense, bem quieto, ficava na dele. Legal o suficiente, a gente se dava bem. Ele tava em algum programa de engenharia, sempre com o nariz metido nos livros. A gente trocava umas palavras de manhã, sabe como é. Não éramos melhores amigos nem nada, mas funcionava. O quarto era pequeno, típico de dormitório. Duas camas, duas mesas, uma janela que dava pro estacionamento. A porta era uma daquelas pesadas corta-fogo com tranca por dentro. Eu sempre deixava trancada à noite porque o prédio era velho e rangia muito, e aquilo me deixava mais tranquilo.

Yosef tinha ido pra Tel Aviv nas férias de inverno. Era meados de dezembro, e ele não devia voltar por mais uma semana, talvez dez dias. A família dele celebra o Hanukkah e depois ele costuma ficar até o Ano Novo. Então eu tava com o quarto pra mim, o que foi bom. Pude me espalhar um pouco, sabe? Tava estudando pras provas finais. Essa noite em particular, dia 18 de dezembro, eu tinha ficado na biblioteca até quase meia-noite, voltei exausto. O aquecimento do nosso prédio é péssimo, então tava um frio do inferno. Liguei o radiador, fiz um miojo, só queria deitar. Lembro que fiquei irritado porque derramei caldo nas minhas anotações de estatística. Bobagem pra se lembrar, mas era nisso que eu tava pensando quando ouvi o barulho. Um tipo de clique. Não como o clique de uma caneta ou algo mecânico. Mais orgânico, se é que faz sentido. Como alguém fazendo sons com a boca, mas de uma forma errada.

Olhei da minha mesa e a cama do Yosef ficava do outro lado do quarto, uns dois metros e meio de distância. As luzes estavam acesas, aquelas fluorescentes de teto que fazem tudo parecer meio doente. E vi um movimento na cama dele. Embaixo das cobertas. De início, pensei que talvez ele tivesse voltado cedo, e que eu simplesmente não tinha percebido porque tava muito focado estudando. Mas aquilo não fazia sentido porque a porta tava trancada por dentro, tranca e tudo. Eu teria ouvido ele entrar. Teria que destrancar pra ele. O clique ficou mais alto. Mais rápido. E o volume embaixo do cobertor começou a se mover mais. Não tipo alguém se virando. Mais como se alguma coisa estivesse vibrando. Levantei. Não sabia o que fazer. Parte de mim achou que podia ser alguma pegadinha, mas aquilo não parecia certo. Então o cobertor escorregou.

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