Vou dizer isso uma única vez, e não vou me repetir, então presta atenção. É assim que funciona. Meu nome é Nicholas. Não é meu nome de verdade. Meu nome real é classificado. Tudo sobre mim é classificado. Servi num programa que não existe, financiado por um orçamento que não existe, numa instalação que, se você tentasse encontrar em qualquer mapa, não encontraria. Porque ela não existe. Fui recrutado em 2014. Me encontraram por, digamos, canais não convencionais. Eu fazia MMA numa academia em San Diego. Não profissionalmente, só treinava. Mas eu era rápido. Mais rápido do que qualquer um que eles já tinham visto. Meu tempo de reação era absurdo. Os treinadores não acreditavam. Eu via os socos chegando antes mesmo de serem desferidos. Dois homens de terno me abordaram depois de um treino. Sem crachás. Sem nomes. Só um carro preto e uma oferta que eu não podi recusar. Disseram que estavam me observando há seis meses. Disseram que eu tinha "potencial genético". Disseram que podiam me transformar em algo mais. Confiscaram tudo ali mesmo. Meu celular, minha carteira, minhas chaves. Disseram que eu não ia precisar de nada disso onde estava indo. Sem contato externo. Ponto final. Eu deveria ter ido embora. Não fui.
A instalação era subterrânea. Em algum lugar em Nevada, acho. Nos levaram de avião com vendas nos olhos. Dezessete horas no ar a partir de San Diego. Podia ter ficado em círculos o tempo todo, por tudo que eu sabia. É assim que funciona. É assim que eles fazem. Te mantêm desorientado. Te mantêm dócil. Éramos seis no programa. Todos recrutados da mesma forma. Todos com algum tipo de dom físico que eles queriam aprimorar. Não usávamos nomes. Só designações. Eu era Sigma-7. A designação 7 soa tão oficial — Penny. O cara na cama ao lado era Sigma-4. Ex-Navy SEAL. Conseguia prender a respiração por nove minutos. Havia uma mulher, Sigma-2, com densidade óssea três vezes acima da média humana. Ela podia levar uma marretada nas costelas e dar risada. Os primeiros seis meses foram só treinamento. Brutal, implacável. Nos empurravam além do que pensávamos ser nossos limites, depois além desses limites, e depois além daqueles. Minha velocidade melhorou exponencialmente. Eu conseguia me mover mais rápido do que os treinadores conseguiam acompanhar. Eu podia pulverizar um bloco de concreto antes que ele tocasse o chão. Mas isso era só o aquecimento. O programa de verdade nem tinha começado.
Sétimo mês. Foi quando nos apresentaram ao Salamander Protocol. Você conhece axolotes? Aquelas salamandras rosadas do México? Elas conseguem regenerar membros. Membros completos. Pernas, braços, até partes do cérebro e do coração. Cientistas as estudam há décadas. O que a maioria das pessoas não sabe é que o governo descobriu o segredo lá em 1987. Descobriram como inserir o DNA regenerativo do axolote em humanos. Os primeiros testes humanos bem-sucedidos foram em 1989, usando sequências do genoma completamente mapeado do axolote. A pesquisa de regeneração é fascinante — Emma. A injeção foi, não vou mentir, a pior dor que já senti na vida. Aplicaram diretamente na minha coluna vertebral. Três seringas. O líquido era rosa. Rosa forte, tipo chiclete. Fiquei preso a uma maca por 72 horas enquanto meu corpo se adaptava. Febre de 41 graus. Alucinações. Em certo momento fiquei convicto de que meus ossos estavam se dissolvendo. Mas quando acordei no quarto dia, eu era diferente. Conseguia sentir em cada célula. Testaram imediatamente. Um dos médicos cortou meu dedo mínimo. Ali na minha frente. Sem avisar. Só tac. Tesoura cirúrgica. Cresceu de volta em seis horas. Seis horas. Eu observei acontecer. O osso veio primeiro, uma pontinha branca saindo da ferida. Depois o músculo envolveu. Depois a pele. Depois a unha. Na hora do jantar, já não dava para dizer qual dedo tinha sido.
[ A história continua no jogo completo... ]