A Figura de Palito

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Isso aconteceu em março de 2019. Eu morava num apartamento no térreo em Ashland, perto da rua principal. Lugar pequeno, um quarto, mas tinha essas janelas grandes que davam para uma pequena área de pátio interno. Eu gostava da luz durante o dia. Minha colega de apartamento estava fora de casa a semana toda, ficando com os pais dela lá em Portland. Então era só eu. Lembro que tinha trabalhado em turnos duplos no restaurante, chegando em casa exausta toda noite. Meus pés estavam me matando. Naquela semana, mal tinha energia para fazer qualquer coisa além de desabar no sofá. Começou numa terça à noite. Cheguei em casa por volta das onze e meia, talvez mais perto da meia-noite. Estava cansada demais até para fazer comida, então larguei os sapatos e fui direto para o sofá. A TV estava ligada, algum programa de entrevistas noturno que eu nem estava assistindo. Só barulho de fundo, sabe o que quero dizer?

Devo ter cochilado um pouco porque quando abri os olhos, a TV tinha mudado para infomerciais. Todas as luzes estavam apagadas, completamente escuro no meu apartamento exceto pelo brilho azul da tela. E foi então que eu senti. Uma cutucada forte bem no meu ombro. Não forte, mas firme. Deliberada. Como alguém te cutucar com o dedo para chamar atenção. Acordei de um salto e me virei, mas não havia nada lá. Só a sala escura, o sofá, a mesinha de centro. Achei que tinha imaginado, sabe? Meio adormecida, provavelmente sonhando. Me acomodei de volta, puxei o cobertor. Fechei os olhos. E então aconteceu de novo. Cutucada. Bem no meu braço desta vez. Aguda, insistente. Sentei rápido, bem acordada agora, coração disparado. Olhei ao redor. Nada. O apartamento estava silencioso exceto pela TV.

Peguei meu celular da mesinha de centro, liguei a lanterna. Varri a sala. Vazia. Verifiquei a porta da frente, ainda trancada. Verifiquei as janelas, todas fechadas. Olhei até no banheiro, no quarto, nos armários. Ninguém. Nada fora do lugar. Voltei ao sofá, deixei a lanterna do celular ligada desta vez, apontada para a parede para dar alguma luz. Tentei me dizer que estava apenas exausta demais, estressada com o trabalho. Mas não conseguia me livrar dessa sensação de que havia algo ali comigo. Que eu não estava sozinha. Fiquei deitada por talvez vinte minutos, só ouvindo. E então ouvi. Aquele som. Não exatamente um sussurro, mas também não era mais nada. Era como, sabe como têm aquelas gravações de como os planetas soam? Aquelas frequências graves e roncantes que convertem em som? Era assim, mas comprimido nesse ritmo úmido e clicante. Vindo de algum lugar perto do chão.

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