A Coisa que Me Observou Flutuar

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Eu preciso contar isso pra alguém. Já faz vinte minutos que estou aqui tentando juntar coragem pra ligar. Minhas mãos estão tremendo. Elas sempre tremem quando eu penso nisso. Já faz mais de vinte anos e minhas mãos ainda tremem. Desculpa. Tudo bem. Eu consigo fazer isso. Foi em 2003. Eu tinha dezenove anos, morava sozinha num estúdio pequenininho em Flagstaff enquanto terminava meu segundo ano na NAU. Eu tinha mergulhado de cabeça na meditação naquele ano. Não o tipo casual, quero dizer prática profunda. Horas por dia. Tinha lido todos aqueles livros sobre estados transcendentais, projeção astral, essas coisas. Achei que estava me iluminando. Achei que era especial. Até hoje não sei como explicar de outro jeito. Meu Deus, eu queria nunca ter começado.

Começou em fevereiro. Eu ficava sentada de pernas cruzadas no chão do meu quarto, olhos fechados, respirando devagar, e eu sentia essa... leveza. Não como relaxamento. Como leveza física de verdade. Como se a gravidade estivesse me soltando. Na primeira vez que aconteceu, achei que estava imaginando. Mas então eu senti o tapete sair debaixo das minhas pernas. Senti o ar embaixo de mim. Eu estava flutuando. Talvez uns quinze centímetros do chão, mas eu estava flutuando. Dava pra sentir que eu estava pairando ali, perfeitamente equilibrada, perfeitamente quieta. Não abri os olhos. Alguma coisa me dizia pra não abrir. Não sei por quê. Era só um instinto. Mantém os olhos fechados. Não olha. Só sente. E assim eu fiz. E continuou acontecendo. Toda vez que eu meditava fundo o suficiente, eu subia. Às vezes uns centímetros. Às vezes eu sentia que ia mais alto. Eu comecei a medir pela temperatura do ar. Quanto mais alto eu flutuava, mais frio ficava. Meu apartamento tinha um isolamento térmico horrível e o teto sempre congelava no inverno.

Em março, eu estava ficando arrogante com isso. Já fazia semanas que eu fazia aquilo. Subia, ficava pairando, descia suave como uma pena. Achei que tinha dominado alguma coisa. Que tinha acessado algum poder que as outras pessoas não conseguiam. Mas havia coisas que eu notava. Coisas que eu tentava ignorar. Às vezes quando eu estava lá em cima, flutuando no escuro atrás das minhas pálpebras, eu ouvia alguma coisa. Uma respiração que não era a minha. Um som úmido, ritmado, como ar passando por algo que não deveria ter pulmões. Eu me dizia que eram as saídas de ar. Que eram os canos. Qualquer coisa, menos o que realmente parecia ser. E às vezes, às vezes eu sentia que algo estava me observando. Sabe aquela sensação quando alguém está olhando para a nuca da sua cabeça? Era assim, só que vindo de todos os lados ao mesmo tempo. De cima de mim. Do meu lado. De dentro da própria escuridão.

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