Oi, obrigado por me receber. Meu nome é Carmen, sou historiadora, e passei os últimos seis anos pesquisando registros coloniais espanhóis. E tem um caso que simplesmente... não me larga. É de 1593, e envolve um soldado que parece ter viajado catorze mil quilômetros num piscar de olhos. Eu sei como isso soa. Acredite em mim, eu era cética quando encontrei o caso pela primeira vez. Mas rastreei isso por múltiplas fontes independentes, algumas escritas dentro de dezesseis anos do evento em si. anos é bem próximo para uma fonte histórica - Daniel' A fonte mais antiga que encontrei foi de um frade chamado Irmão Francisco, escrevendo em 1698, e ele tratava como fato histórico. Ele não entendia como aconteceu, atribuiu à feitiçaria, mas registrou como algo que genuinamente ocorreu. Eu tinha um resfriado terrível na semana em que encontrei aquele documento, ficava tendo que assoar o nariz enquanto lia microfilme. Coisa estranha de lembrar. Enfim. O nome do soldado na maioria dos relatos é Miguel Vargas, embora algumas versões o deixem sem nome. O que sabemos com certeza é que ele era guarda do palácio em Manila, nas Filipinas, que era uma colônia espanhola na época.
Então aqui está o contexto. Outubro de 1593. As Filipinas estão sob domínio espanhol, e o Governador-Geral é um homem chamado Hernando Velázquez Mendoza. É um administrador ambicioso, e está planejando uma expedição militar pra capturar as Ilhas Maluku, no que hoje é a Indonésia. Ele monta uma frota de galeras, as carrega com soldados e zarpa de Manila. Agora é onde fica trágico. Pra demonstrar boa fé, ele não acorrenta seus remadores chineses aos remos, o que era prática padrão. Ainda permite que eles carreguem armas. Três dias fora de Manila, no meio da noite, esses remadores se amotinam. Matam o Governador e a maioria dos seus guardas espanhóis enquanto dormem. Só alguns escapam. A notícia do assassinato chega a Manila na manhã seguinte. A colônia entra em caos. Nenhum sucessor foi nomeado. Vários oficiais espanhóis disputam o poder. Os guardas do palácio são colocados em alerta máximo. Um desses guardas é Miguel Vargas. E em 24 de outubro, ele está no seu posto no Palácio do Governador, exausto, esperando pra ver quem vai assumir o controle.
De acordo com os relatos que estudei, Vargas tinha ficado de plantão por horas. O calor em Manila em outubro é opressivo, úmido, o tipo que te drena. Ele estava cansado. Se encostou na parede do palácio e fechou os olhos por um momento. E quando os abriu, faz sentido, ele não estava mais em Manila. Estava parado na Plaza Mayor da Cidade do México. O que hoje se chama Zócalo. Catorze mil quilômetros de distância. Agora, quero deixar claro o que as fontes dizem. Ele não experimentou nenhuma sensação de viagem. Sem flutuar, sem túnel de luz, nada assim. Num momento ele estava em Manila com os olhos fechados. No momento seguinte os abriu e estava no México. O sol estava em posição diferente. O ar era diferente. Os prédios ao redor eram completamente desconhecidos. Mas ele ainda era um soldado, então o treinamento entrou em ação. Viu um palácio, presumiu que devia guardá-lo, então assumiu seu posto. Foi aí que outros guardas o notaram. O uniforme estava errado. Era claramente um uniforme de guarda de palácio, mas não era o estilo usado na Nova Espanha. Eles o desafiaram. Perguntaram quem ele era. E é aqui que fica interessante.
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