Encontro com o Urso Nandi

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Meu avô me contou essa história tantas vezes que eu conseguia recitar dormindo. A questão é que sempre achei que era só isso. Uma história. Aí eu mesmo vi a criatura, e percebi que cada palavra que ele disse era verdade. Deixa eu começar pelo que meu avô viu. Foi em 1905, logo depois de toda aquela confusão da expedição britânica pelo território Nandi. Meu avô, cujo nome era Geoffrey, estava viajando com seu primo pelo planalto de Uasin Gishu. Terra linda por lá, colinas onduladas, sem nenhum assentamento naquela época. Estavam acampados perto do Rio Mataye e seguiam em direção a Sergoit Rock. Era meio-dia, calor, e estavam caminhando quando meu avô simplesmente parou. O primo quase colidiu com ele. Lá, sentada nas patas traseiras a uns noventa metros, havia um animal. Disse que parecia igualzinho a um urso do zoológico pedindo comida, sabe aquela forma como eles se sentam e ficam pedindo. Quase um metro e meio de altura só de sentado.

Meu avô conhecia animais. Estava na África Oriental há anos naquele ponto. E sabia que não devia haver nenhum urso na África. Não mais, pelo menos. Mas aquela coisa era enorme. Corpulenta, pelo escuro e espesso cobrindo toda a parte dianteira e as pernas. A parte traseira era mais lisa, segundo ele. A cor era escura, quase preta em alguns lugares. Ficou ali olhando pra ela, e ela ficou olhando de volta. Orelhas pequenas, ele se lembrava desse detalhe. E se tinha rabo, era tão minúsculo que mal dava pra ver. A cabeça era longa, pontuda. Não como leão nem leopardo. Mais parecido, bem, com urso. Aí ela caiu pra frente nas quatro patas e começou a se mover. Meu avô sempre descrevia do mesmo jeito. Dizia que tinha esse galope lateral, esse andar bamboleante que não se parecia com mais nada. sitting up like that are unnerving - Mia' Foi em direção a Sergoit Rock, e meu avô, ele pegou o rifle e atirou nela. Errou completamente.

Mas eis o que sempre ficou com ele. Quando errou, a criatura parou. Virou a cabeça completamente pra trás e olhou pra eles. Só ficou encarando. Meu avô disse que era maior do que qualquer urso que já vira no London Zoo, e construída como um tanque. Depois desapareceu entre as pedras. Por anos, achei que era só uma história de velho, sabe? Algo pra contar pros netos. Ele falava de como o povo Nandi local a chamava de chemosit. O demônio. Tinham lhe avisado pra não dormir com a barraca aberta por causa dessa coisa. Disseram que era como uma hiena, mas infinitamente maior e mais feroz. Matava pessoas que estavam sozinhas, arrastava-as pra escuridão. Cresci ouvindo essas histórias. De como os Nandi tinham matado uma anos antes, incendiando uma cabana com a criatura dentro depois que ela arrombou o teto e matou todo mundo. De como caçadores a rastreavam mas nunca a pegavam porque só saía nas noites sem lua.

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