Ei, obrigado por atender minha ligação. Sou criptozoólogo e passei os últimos seis anos pesquisando críptidos aquáticos mesoamericanos. Há um caso que me tira o sono à noite, e preciso te contar. No início dos anos 1500, nos arredores do Lago Texcoco no que hoje é a Cidade do México, havia uma criatura que os astecas chamavam de ahuizotl. Isso se traduz mais ou menos como 'habitante espinhoso das águas' ou 'coisa aquática com espinhos.' Os pescadores que trabalhavam naquelas águas a conheciam bem. Bem demais. Li todo documento de fonte primária que consegui encontrar. O Codex Florentino, Livro 11, a descreve em detalhes. Relatos escritos de informantes astecas, registrados por freis espanhóis nos anos 1500. Não eram lendas passadas de geração em geração. Eram relatos contemporâneos de pessoas que afirmavam encontrar essa coisa com regularidade.
Então aqui está o que descreviam. O ahuizotl tinha mais ou menos o tamanho de um cachorro pequeno, talvez um metro de comprimento. Pelo preto, liso e impermeável. Quando saía da água, o pelo se eriçava, como um porco-espinho. Orelhas pequenas e pontudas. Corpo liso. Mas é aqui que fica estranho. A cauda. O Codex Florentino é muito específico sobre isso. A criatura tinha uma cauda longa, e na ponta dessa cauda havia uma mão. Não uma pata. Uma mão. Citação: 'assim como uma mão humana é a ponta de sua cauda.' Suas mãos normais, as dos braços, eram descritas como as mãos de um guaxinim ou de um macaco. Ágeis. Capazes de agarrar coisas. Sei como isso soa. Mas essa descrição aparece em múltiplas fontes independentes daquela época. O codex também menciona que vivia em poços fundos, em cavernas aquáticas. O Lago Texcoco tinha bastante dos dois.
O método de caça era o que aterrorizava os locais. O ahuizotl ficava à espreita na beira da água, completamente submerso exceto talvez pelo focinho. Pescadores, mulheres lavando roupas, crianças brincando perto da margem. Qualquer um que chegasse perto o suficiente. Usava aquela mão-cauda para agarrá-los. Enrolava aqueles dedos ao redor de um tornozelo, um pulso, o que pudesse alcançar. Então os puxava para baixo e os mantinha lá até afogarem. A luta agitava a água, peixes e sapos pulando por todo lado, mas uma vez preso na garra daquela coisa, você não escapava. mão em uma cauda parece impossível - Marcus' Aqui está a parte perturbadora. Depois que a vítima se afogava, o ahuizotl usava seus dentes afiados para remover partes específicas do corpo. Os olhos. Os dentes. As unhas. Apenas essas três coisas. Então deixava o corpo flutuar de volta à superfície alguns dias depois.
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