Oi. Meu nome é Rebecca, ligando de Londres. Sou primatologista, e preciso te contar sobre algo que encontrei em Sumatra em 2001. Algo que mudou tudo que eu achava saber sobre espécies não descobertas. Eu tava fazendo pesquisa de campo no Parque Nacional Kerinci Seblat. É uma das maiores florestas tropicais contínuas do Sudeste Asiático. Densa, úmida, absolutamente cheia de vida. Fui pra lá estudar os padrões de forrageamento de primatas. Passaria três meses lá, com um assistente local chamado Ahmad que conhecia a floresta muito bem.
Era no final de setembro, por volta das quatro da tarde. Eu tava trabalhando sozinha naquele dia, meu assistente de pesquisa tinha ido de volta ao acampamento base com problemas no equipamento. Eu tava seguindo um grupo de siamangs, esses gibões pretos, anotando comportamento. A floresta fazia aquela coisa que faz no final da tarde, quando a luz muda e fica tudo mais suave e tranquilo. Eu tava num trecho de trilha que corria ao longo de um riacho. De repente percebi que os siamangs tinham parado. Completamente em silêncio. Lá de cima. Aquilo era errado. Siamangs vocalizam constantemente. O silêncio deles é um sinal. Algo os tinha assustado.
Estava em pé na vertical, completamente ereto, uns noventa centímetros de altura. Talvez um pouco mais alto, difícil dizer com exatidão. Coberto de pelo curto, castanho-avermelhado, mais escuro nas costas e ombros. Mas o que me impressionou imediatamente foi o rosto. Não era focinho de macaco, não era focinho de símio. Os traços eram achatados. Os olhos eram grandes, escuros, voltados pra frente como os nossos. A testa era baixa mas presente. E estava me olhando com essa expressão... avaliativa. Não de presa, não de predador. De reconhecimento. Como alguém sendo observado por um estranho. Olhamos um para o outro por talvez trinta segundos. Depois ele simplesmente se virou e entrou na vegetação densa. Sem correr. Sem pânico. Só... se foi. sem correspondência com nenhum primata catalogado - Rebecca'
[ A história continua no jogo completo... ]