Boa noite. Fiquei pensando se devia compartilhar isso por um tempo. Finalmente decidi que precisava tirar isso do peito. Aconteceu no outono de 1968. Eu trabalhava como zelador num dos estaleiros de Govan. Um lugar grande, sempre tinha algo sendo construído. Naquele ano havia um petroleiro em dique seco, uma estrutura enorme. Meu turno era à noite, das dez ao amanhecer. Geralmente eram poucas pessoas por lá nessa hora. Engenheiros às vezes. Guardas. Mas a maioria dormia.
Eu tava perto da seção de popa, por volta das onze da noite, quando ouvi o barulho. Metal batendo em metal, vindo de dentro do casco. Agudo, irregular. Não como alguém trabalhando. Mais como algo se movendo lá dentro e esbarrando nas coisas. Era isso. Ninguém devia estar lá dentro. O casco estava fechado àquela hora, os soldadores e chapeiros tinham ido embora. Mas o barulho era constante. Fui até o encarregado de segurança, um velho chamado Frank, e ele disse pra eu verificar. Disse que provavelmente era contração térmica. Mas contração térmica não soa assim.
Segui o barulho em direção à seção de proa. Andando devagar, prestando atenção onde pisava. O chão era chapas de metal lisas, nada pra tropeçar, mas eu tava nervoso. O barulho foi ficando mais alto. E então contornei uma das nervuras internas e os vi. Cinco deles. Parados em grupo solto perto do que parecia ser uma costura no casco. Uns 60 centímetros de comprimento cada. Como besouros, mas errados. As proporções estavam todas erradas. As pernas eram compridas demais, o exoesqueleto muito liso. E eles tinham... olhos. Não olhos compostos de inseto. Olhos redondos, escuros, que refletiram minha lanterna. Ficamos nos encarando por talvez cinco segundos. Depois simplesmente desapareceram. Não correram. Sumiram. nenhuma espécie correspondente encontrada - Frank'
[ A história continua no jogo completo... ]