Ei. Primeira vez que ligo. Venho ouvindo seu programa há um tempo, achei que era finalmente hora de compartilhar algo que aconteceu comigo. Algo que carrego há mais de setenta anos. 12 de setembro de 1952. Eu tinha dezessete anos, estava em casa de licença da Guarda Nacional. Era uma noite de sexta-feira em Flatwoods, Virgínia Ocidental. Uma cidadezinha, talvez trezentas pessoas. Provavelmente você nunca ouviu falar, a não ser que conheça a história que estou prestes a contar. Eu estava na casa da minha prima Caroline Mitchell, só visitando. Ela tinha dois filhos, Evan e Frank, 13 e 12 anos. Por volta das 19h15 daquela noite, aqueles meninos vieram correndo para a casa com o amigo deles, Toby, todos sem fôlego. Eles tinham estado brincando no pátio da escola.
Os meninos estavam animados, falando ao mesmo tempo. Disseram que viram algo riscar o céu. Luz brilhante, vermelho e laranja, movendo-se rápido. Viram cair sobre a fazenda de Bill Fletcher, no morro atrás da escola. Pareceu que caiu, eles disseram. Bem, Caroline não era do tipo que simplesmente descartava o que seus filhos lhe contavam. Ela saiu, olhou em direção à propriedade Fletcher, e juro que havia uma luz estranha lá naquela encosta. Luz avermelhada, pulsando. Não parecia nenhuma luz de fazenda que eu já tinha visto. Então ela decidiu que a gente deveria dar uma olhada. Eu, ela, os três meninos. Uns filhos dos vizinhos, Nick Nelson e Rick Sanders, ouviram a algazarra e vieram junto. Sete de nós no total. Ah, e o cachorro da família, Rocky. Ele correu na nossa frente morro acima pelo caminho. Eu tinha minha lanterna da Guarda. Começamos a caminhar em direção à propriedade Fletcher, seguindo aquele brilho estranho.
A caminhada começou normal. Só um caminho de morro, capim e arbustos dos dois lados. Mas à medida que nos aproximamos do topo, talvez a três quartos do caminho, as coisas começaram a parecer erradas. A primeira coisa que notei foi o cheiro. Forte, acre. Queimava lá dentro do nariz, fazia os olhos lacrimejarem. Não era como nada que eu conhecia da fazenda, não era fertilizante nem esterco. Quase metálico, com um gosto de enxofre. O tipo de cheiro que faz seu corpo mandar você dar meia-volta. Então vimos a névoa. Uma coisa grossa e acinzentada esverdeada suspensa no ar entre as árvores. Não era neblina. Neblina não fica suspensa em manchas assim, não brilha fracamente no escuro. Era outra coisa. Rocky, o cachorro, chegou à névoa primeiro. Parou morto, começou a ganir, depois virou o rabo e desceu correndo aquele morro mais rápido do que eu jamais o tinha visto correr. Sempre sabem quando algo está errado, espero que Rocky tenha escapado bem — Nolan. Cachorro tem bom instinto. A gente deveria ter escutado ele.
[ A história continua no jogo completo... ]