Olá. Meu sobrinho disse que eu finalmente devia ligar sobre isso. Ele ouve seu programa o tempo todo. Então aqui estou. Isso aconteceu em 1977, 25 de julho. Era uma noite quente em Lawndale, no centro de Illinois. Eu tinha dez anos na época. Tinha completado dez anos naquela primavera. Brincava no quintal dos fundos com dois amigos, Travis e Bobby. Tínhamos ficado lá a tarde toda, sabe, só bagunçando como crianças fazem. Minha mãe estava dentro limpando depois do jantar, e meu pai estava na frente mexendo no caminhão. Noite de verão normal. Por volta das oito e meia, talvez quarto pra nove, foi quando aconteceu. Lembro a hora exata porque minha mãe tinha acabado de chamar pela janela perguntando se a gente queria picolé antes de escurecer.
Estávamos perto da cerca do fundo quando ouvi aquele barulho.[ Como asas batendo, mas alto. Muito alto. Não como pássaro normal, sabe o que quero dizer? Travis viu eles primeiro. Me agarrou pelo ombro e apontou pra cima. Foi aí que olhei. Dois pássaros enormes. Circulavam a uns 15, 18 metros de altura. A princípio achei que fossem grandes gaviões ou algo assim, mas conforme foram descendo, percebi que essas coisas eram imensas. A envergadura tinha que ser pelo menos três metros. Talvez mais. Eram pretos, completamente pretos, com aqueles anéis brancos ao redor do pescoço. Como se alguém tivesse pintado coleiras neles. Os bicos eram longos e curvos. Como nenhum pássaro que eu já tinha visto. E a forma como se moviam, era suave mas determinada. Como se estivessem caçando. Bobby começou a recuar em direção à casa. Eu devia ter ido com ele. Em vez disso, fiquei parado observando-os circular mais baixo. Não conseguia tirar os olhos, sabe o que quero dizer? Era como se eles tivessem minha atenção travada.
Aí um deles mergulhou. Direto pra baixo, em direção a nós. Travis viu vir e pulou na piscina do vizinho. Voou direto por cima da cerca, nem hesitou. Garoto esperto. Bobby já estava na metade do caminho pra porta dos fundos. Mas eu? Congele. Observava aquela coisa vir na minha direção, e minhas pernas não se moviam. Era como se meu cérebro gritasse pro meu corpo correr, mas nada funcionava. O pássaro me atingiu por trás. Senti aquelas garras agarrarem as alças da minha camiseta regata, nos ombros. As garras estavam dispostas de modo estranho, três na frente e uma atrás. Senti elas cravar no tecido. E então saí do chão. Realmente saí do chão. Meus pés não tocavam nada. A coisa me carregava. Comecei a gritar e me debater. Socos pra cima, chutes, fazendo o que conseguia. Lembro de olhar pra baixo e ver o quintal ficando menor. Não muito, talvez uns sessenta centímetros, mas eu estava no ar. Aquele pássaro tinha me erguido e tentava me carregar embora.
[ A história continua no jogo completo... ]