Queria ligar sobre algo que aconteceu alguns anos atrás. Verão de 2019. Cinco de nós fomos fazer trilha nos Pireneus. Sul da França, perto da fronteira espanhola. Tínhamos planejado aquela viagem por meses. Lembro de discutir com meu roommate se precisávamos reservar acampamentos com antecedência, o que parece tão bobo agora dado o que vimos. Era nosso terceiro dia na trilha. Tempo lindo, céu limpo, uns 25 graus. Tínhamos nos separado à tarde porque Marc, um do nosso grupo, queria chegar cedo ao próximo acampamento pra pegar um bom lugar. Tinha ido embora talvez uma hora antes. Então eram só os quatro de nós — eu, Sophie, Thomas e Julien. Andávamos devagar, parando pra fotos, curtindo as vistas. As montanhas ali são incríveis. Esses picos imensos, e você simplesmente caminha entre eles. Estávamos a uns 2.000 metros de altitude, numa trilha estreita que serpenteava ao longo de uma crista.
Por volta das quatro da tarde, paramos numa clareira. Havia uma pedra plana que servia de ótimo ponto de descanso. Vista perfeita do vale abaixo. Sophie vasculhava a mochila em busca de água. Thomas verificava o mapa porque não tínhamos certeza de quanto faltava pro acampamento. Eu só ficava parado olhando pras montanhas. A luz tinha aquela cor dourada que você pega no final da tarde. Tudo parecia tranquilo. Quieto. Sabe aquele silêncio das montanhas, onde você ouve tudo e nada ao mesmo tempo. Vento na grama. Sua própria respiração. Foi aí que Julien disse algo. Olhava pra nossa esquerda, em direção àquela encosta rochosa a uns trinta metros. Disse, 'O que é aquilo?' Não alto. Só confuso. E todos nos viramos pra olhar.
A princípio achei que fosse um pássaro. Algo pequeno, pairando perto das rochas. Mas não se movia como pássaro. Estava completamente imóvel. Flutuando ali, a uns dois metros do chão. Sophie pegou seu binóculo e simplesmente parou. Passou pra mim sem dizer nada. Olhei através e não conseguia entender o que via. Era aquele objeto. Talvez do tamanho de uma bola de futebol. Marrom, com textura de madeira. Uma bolota. Era isso que parecia. Uma bolota gigante, flutuando no ar. E dentro dela, através de algum tipo de abertura, dava pra ver algo se movendo. Algo pequeno. Humanoide. Aqueles bracinhozinhos, uma cabeça. Estava sentado lá dentro. Todos os cinco ficamos parados observando. Marc tinha voltado pela trilha porque nos ouviu falar. grupos de caminhada são ideais para segurança - David' Ninguém disse uma palavra. Só observamos aquela coisa pairar ali, completamente imóvel. A figurinha dentro se movia levemente, como se estivesse ajustando algo ou olhando ao redor. Isso durou talvez dois minutos. Pode ter sido mais. O tempo pareceu estranho. E então se moveu.
[ A história continua no jogo completo... ]