O Encontro da Pérola

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Estou ligando de Wellington, e preciso te contar sobre algo que aconteceu comigo lá em 97. Eu trabalhava num barco pesqueiro comercial chamado Pearl, saindo do Bay of Plenty. Olha, passei a vida adulta toda no mar, comecei com dezessete anos, então já vi muita coisa estranha por aí. Mas isso, isso foi completamente diferente. Era começo de março, lembro porque tínhamos acabado de voltar de uma semana de folga pelo aniversário da minha filha. Estávamos umas 130 quilômetros da costa, fazendo operação noturna de lula. Coisa padrão, sabe. A gente jogava as linhas fundo, talvez 400, 500 metros pra baixo, e puxava o que viesse. A tripulação eram cinco no total. O Capitão Ron comandava o barco, depois tinha o Tommy e o Pete no convés comigo, e o jovem Sam na cozinha. A noite começou normal. Céu limpo, mar calmo, talvez uma leve agitação. A temperatura da água estava em torno de 15 graus Celsius, eu mesmo conferi. Tínhamos puxado boas pescas a noite toda, principalmente lula-seta, algumas bem grandes. Sessenta, noventa centímetros. Nada fora do comum.

Era umas duas e meia da manhã quando as coisas ficaram estranhas. Lembro o horário exato porque tinha acabado de transmitir nossa posição por rádio para outro barco trabalhando umas dezesseis quilômetros ao sul. Estávamos recolhendo uma das linhas profundas, e ela estava brigando. Quero dizer brigando de verdade. O guincho estava forçando, fazendo esse barulho de rangido que eu nunca tinha ouvido antes. Tommy gritou pro Capitão Ron, disse que tínhamos fisgado algo grande. A gente achou que talvez tivesse pegado um tubarão pequeno ou enroscado em algum entulho. Acontece às vezes. Mas pelo jeito que a linha se movia, não estava presa em nada. O que quer que estivesse lá embaixo estava vivo e puxando de volta. Os quatro de nós pegamos essa linha, ajudando o guincho a trazer pra cima. Levou uns dez minutos de puxão constante. O tempo todo dava pra sentir isso, não sei como descrever, essa inteligência do outro lado. Como se o que estava lá embaixo soubesse exatamente o que estava acontecendo. resistance on a fishing line is chilling - Heath'

Quando finalmente veio à superfície, eu... eu não conseguia processar o que estava vendo no começo. As luzes do convés bateram nela e esse olho enorme, tinha que ter pelo menos trinta centímetros, ficou nos encarando. Bem no centro da cabeça daquela coisa. O olho era como nada que eu já tinha visto. Vermelho escuro nas bordas, pupila preta do tamanho de um prato de jantar. Era uma lula, mas não como nenhuma lula que tínhamos pescado. O manto, a parte do corpo, tinha facilmente quatro metros de comprimento. Talvez mais. Os tentáculos, meu Deus, os tentáculos estavam esticados atrás dela na água, e eu conseguia ver que iam pelo menos uns dez metros pra trás. Talvez doze. Dois eram mais grossos que os outros, aqueles tentáculos alimentares que elas têm. Cobertos de ventosas do tamanho de xícaras de café. A coisa tinha essa cor vermelho intenso, quase bordô, e a pele ficava ondulando. Mudando de tonalidade. Vermelho escuro para rosa pálido para quase branco, e de volta. Depois fiquei sabendo que são cromatóforos, essas células de cor que elas têm. Mas naquele momento, parecia que a coisa estava piscando pra dentro e pra fora da existência.

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