O Ropen

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Obrigado por me deixar contar isso. Faz muito tempo que eu quero compartilhar o que aconteceu com a gente. Meu nome é Bernard, e eu tô ligando de Lae City, na Papua Nova Guiné. Mas quando eu era menino, tinha uns doze anos, eu morava numa aldeia pequena na Ilha Umboi. Provavelmente você nunca ouviu falar dela. A maioria das pessoas fora do nosso país nunca ouviu. É uma ilha vulcânica entre o continente e a Nova Bretanha, muito remota, muito isolada. A gente chama de Siassi na nossa língua. Na nossa aldeia, tinha histórias sobre o ropen. O nome significa voador demoníaco. Os mais velhos nos contavam sobre ele desde que éramos pequenos. Diziam que ele vive nas cavernas lá no alto das montanhas, perto dos lagos de cratera. Diziam que dorme durante o dia, agarrado na vertical no tronco de uma árvore, não pendurado de cabeça pra baixo como as raposas voadoras que a gente tem por todo lado. De noite, diziam, ele sai pra caçar. Voa até os recifes pra pegar peixe, e o tempo todo ele brilha. Uma luz forte que se move pela escuridão por uns cinco segundos de cada vez. A gente, quando criança, acreditava nessas histórias do jeito que criança acredita em tudo. Mas também achávamos que talvez os velhos tivessem exagerando. Talvez fosse só um tipo maior de morcego. Talvez o brilho fosse vagalumes ou algo na água. Conto isso porque você precisa entender: a gente não sabia. Nunca tínhamos visto por conta própria. Ainda.

Na minha aldeia, por volta de 1993, tinha um grupo de garotos que sempre andava junto. Sete de nós. A gente tinha de uns dez a quinze, dezesseis anos. Éramos meninos curiosos, sempre explorando, sempre querendo ir a lugares que os pais mandavam não ir. Um dia a gente decidiu que ia subir até o Lago Pung. É um lago de cratera lá no alto das montanhas, perto do Monte Tolo. Os adultos não gostavam que a gente fosse pra lá. Diziam que o ropen às vezes voa sobre aquele lago. Mas a gente era jovem e achava que era corajoso. A caminhada levou a maior parte da manhã. A selva em Umboi é fechada, muito fechada, e as trilhas são íngremes. Quando chegamos ao lago, estávamos exaustos mas felizes. A vista era linda. A água era parada e escura, rodeada pelo verde das paredes da cratera. A gente sentou pra descansar, rindo e zoando entre si. Fazia só uns minutos que a gente tava lá. Talvez cinco minutos, talvez menos. Foi aí que aconteceu. Meu amigo Thomas foi o primeiro a ver. Ele parou de falar no meio de uma frase e apontou. O rosto dele ficou completamente branco. Eu virei pra olhar onde ele apontava, e meu corpo inteiro gelou.

Ele desceu sobre o lago. É a única forma que consigo descrever. Veio do céu e voou talvez trinta metros acima da superfície da água. E eu juro, meu coração parou quando vi o que era. Era enorme. A envergadura tinha que ser de pelo menos sete metros, talvez mais. uma envergadura de sete metros é imensa para qualquer criatura voadora - Jake' As asas eram como couro, como as de um morcego, mas aquilo não era morcego nenhum. O corpo era cinza escuro, quase preto. E a cauda. A cauda era tão longa quanto a envergadura das asas. Sete metros de comprimento, facilmente, com uma forma na ponta igual a um losango. Uma forma plana de losango que se movia de um lado pro outro enquanto ele voava. A cabeça era a parte mais assustadora. Tinha um focinho comprido, como de um crocodilo, meu amigo disse mais tarde, cheio de dentes. Na parte de trás da cabeça havia uma crista, uma coisa comprida e reta que apontava pra trás. E ao longo do pescoço e das costas, havia protuberâncias e saliências correndo do início ao fim. Era a coisa mais aterrorizante que eu já vi na minha vida. Parecia algo de antes da existência humana. Algo que não devia estar vivo. Nenhum de nós se mexeu. A gente não conseguia se mexer. Ficamos só olhando enquanto essa criatura, esse ropen, voava baixo sobre o Lago Pung. Ele não pareceu nos notar, ou talvez não ligasse. Voou de uma ponta do lago em direção à outra, e aí fez uma curva e saiu em direção ao Monte Bel, desaparecendo sobre a crista.

[ A história continua no jogo completo... ]

Experiencie a História Completa

Ouça o relato completo de Bernard em Across The Airwaves.
Um jogo de simulação narrativa de rádio paranormal noturno — com muito mais histórias para descobrir. Disponível no Itch.io.