Boa noite. Isso aconteceu em maio de 2003. Eu ensinava a quinta série na época, e vínhamos planejando essa excursão havia meses. Uma caminhada pela natureza lá nas Cascades, parte do nosso módulo sobre ecossistemas locais. Já tinha feito a mesma trilha umas doze vezes ao longo dos anos. Conhecia o caminho, conhecia os pontos onde parávamos para observar, sabia exatamente quanto tempo levaria. O tempo estava perfeito naquele dia. Céu limpo, temperatura na casa dos dezoito graus, brisa suficiente para manter os mosquitos longe. Tínhamos pais acompanhantes, lancheiras, pranchetas para as crianças desenharem o que vissem. Uma excursão educativa padrão. Nada naquela manhã sugeria que algo incomum fosse acontecer. Mas já ensinei tempo suficiente para saber que crianças percebem as coisas. Elas veem o mundo de forma diferente da nossa. Não têm os filtros que os adultos têm, os que nos dizem o que é possível e o que não é. Então, quando todas elas viram a mesma coisa, desenharam a mesma coisa, descreveram a mesma coisa — tive que levar a sério.
Começamos a caminhada por volta das dez da manhã. Tinha vinte e dois alunos comigo naquele dia, mais quatro pais voluntários. A trilha que usamos era uma que eu já conhecia — começa no posto do guarda florestal, sobe por uma floresta de árvores antigas por cerca de três quilômetros. Leva você até um mirante lindo de onde dá para ver três picos diferentes. As crianças estavam animadas, sabe como elas ficam nas excursões. Muito burburinho, apontando coisas umas para as outras. Parávamos de vez em quando e eu pedia que observassem algo — padrões de líquen nas árvores, rastros de cervo no solo macio, chamados de pássaros. Elas deveriam estar preenchendo as fichas de observação, fazendo esboços do que viam. Uns quarenta e cinco minutos depois, chegamos a um trecho onde a trilha fica estreita. Cortada direto na encosta, árvores densas dos dois lados, mal dava para caminhar em fila indiana. Sempre mandava as crianças se enfileirarem ali, andarem com cuidado, segurarem no corrimão de corda. Não é perigoso, só íngreme. Era lá que estávamos quando aconteceu.
Eu estava perto da frente da fila, talvez cinco crianças à minha frente, quando ouvi um som. Não alto, mas distinto. Como vento passando por capim alto, exceto que não havia capim lá em cima. Só árvores e pedras. Uma espécie de som de pressa, de deslizamento. Difícil de descrever. As crianças à minha frente pararam de andar. Simplesmente congelaram na trilha. Uma das meninas, Emily, apontou para as árvores lá em cima e disse: 'Miss Carson, o que é aquilo?' Havia uma tensão na voz dela, não exatamente medo, mas definitivamente incerteza. Olhei para onde ela estava apontando. A princípio pensei que fosse um galho. Algo escuro se movendo pela copa das árvores acima de nós. Mas galhos não se movem assim. Aquela coisa estava serpenteando entre as árvores, talvez a uns dez metros de altura, com um movimento fluido, contínuo. Como ver uma cobra nadar na água, só que estava no ar. Simplesmente deslizando pelo espaço entre os troncos das árvores.
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