O Snallygaster da Montanha Sul

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Morei aqui no Condado de Frederick a minha vida toda. Quarenta e nove anos. Nasci no vale, cresci no flanco leste da South Mountain, e dirigi a National Pike mais vezes do que jamais poderia contar. Por isso quero que entenda que quando digo que havia algo errado naquela noite, não sou do tipo que se apavora fácil. Conheço cada curva daquela estrada. Conheço a linha das árvores. Sei quando algo não pertence a um lugar. A gente cresceu com o Snallygaster por aqui. Não como piada, não como história para turistas. Minha avó falava dele da mesma forma que falava do tempo. Com naturalidade. Ainda há celeiros neste condado com estrelas de sete pontas pintadas neles, antigos símbolos de hex que os colonos alemães colocavam para afastá-lo. Passei por esses celeiros durante toda a minha infância. Nunca pensei muito neles, vou ser honesta. Penso agora. Foi em outubro de 2019. Uma quinta-feira, tarde. Umas onze e quinze quando entrei no meu caminhão. Tinha acabado de terminar um turno duplo no lanchonete onde trabalho na Rota 40, ali mesmo em Braddock Heights. Estava cansada, estava pronta para estar em casa. Tinha meu cachorro Pepper no banco traseiro, porque ele sempre vem comigo nos turnos da noite, ele não gosta de ficar sozinho em casa. Cachorro velho. Treze anos, um vira-lata de beagle, viajando nesse caminhão desde as oito semanas. O caminho para casa dura uns oito minutos. Tinha feito aquilo dez mil vezes. E seguindo em direção ao leste pela National Pike naquela noite, não havia outro par de faróis em nenhuma direção onde a vista alcançasse.

Pepper começou primeiro. É nisso que fico pensando. Ele estava no banco traseiro e começou a fazer um som, baixo e contínuo, não o seu latido nem um gemido, algo entre os dois que nunca tinha ouvido dele em treze anos de convivência. cachorro fazendo um som que você nunca ouviu em 13 anos, isso me deixaria inquieta - Linda' Olhei pelo retrovisor. As orelhas dele estavam completamente achatadas contra o crânio. Ele tinha se enfiado no espaço para os pés atrás do banco do passageiro como se tentasse ficar abaixo da linha da janela. Então o rádio apagou. Tinha colocado um rádio novo naquele caminhão no verão anterior. Não cortou para estática. Simplesmente ficou em silêncio, como se algo tivesse engolido o sinal. Peguei o celular para ver se havia algum problema com o Bluetooth e a tela estava completamente preta. Não respondia. Estava carregando no lanchonete o turno todo, então não havia razão para estar sem bateria, mas era apenas um retângulo escuro na minha mão. Deixei no banco. E então a pressão mudou. Essa é a única forma que sei de descrever. O ar dentro da cabine ficou denso, do jeito que fica antes de uma tempestade de verão quando os ouvidos tampam e os seios nasais doem. Exceto que o céu pelo para-brisa estava limpo. Estrelas por todo lado. Uma meia-lua baixa sobre a crista. Pepper fez um som que nunca quero ouvir de um cachorro de novo e olhei para a linha das árvores no lado sul da estrada e meu pé saiu do acelerador sem que eu decidisse.

Havia algo acima das árvores. Não nelas. Acima delas. As árvores ao longo daquele trecho da National Pike são crescimento antigo, algumas com dez, doze metros. Aquela coisa estava passando pelos topos com espaço de sobra, movendo-se para o leste, movendo-se devagar. Devagar demais para um pássaro. Não devagar do jeito que algo lutando parece devagar. Devagar do jeito que algo em pleno controle parece devagar. Como se estivesse à deriva. Parei no acostamento de cascalho e apaguei os faróis. Um instinto. Não consigo explicar. Como se eu não quisesse que notasse que meu caminhão estava ali. Deixei o motor ligado. Não teria conseguido me forçar a desligá-lo. A envergadura. Preciso que imagine a envergadura. A National Pike é uma estrada de duas pistas, aproximadamente sete, sete metros e meio de margem a margem. Aquela coisa era mais larga que isso. Não um pouco mais larga. As pontas das asas se estendiam além da linha das árvores de cada lado. As asas tinham essa qualidade escura e coriácea, como membrana esticada sobre ossos longos e finos, e se moviam naquelas batidas longas e lentas que por qualquer lógica não deveriam ter mantido algo daquele tamanho no ar. Não sei dizer quanto tempo fiquei ali olhando para as asas antes de notar o olho. E falo sério. Genuinamente não consigo dizer se foram trinta segundos ou cinco minutos. Um olho. Centralizado no que estou chamando de cabeça. De cor âmbar, iluminado de algum lugar por dentro. Não brilhante. Mais como o filamento de uma lâmpada incandescente velha bem antes de apagar de vez. Simplesmente presente. Simplesmente ali.

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