Preciso contar isso a alguém antes de perder a coragem. O que estou prestes a descrever, eu sei exatamente como vai parecer. Mas aconteceu. E preciso que outra pessoa saiba que aconteceu. Foi em outubro de 1998. Dia 12 de outubro, na verdade — me lembro porque era o aniversário da minha irmã e eu estava voltando de Great Falls, onde tinha ido buscar o presente dela. Estava pegando os caminhos secundários porque a rodovia estava em obras naquele mês. A Rota 87 pelo vale. E me lembro — minha janela tinha ficado emperrada por semanas. Não cedia por nada que eu tentasse. Era por volta das 23h. Sem lua naquela noite, só escuridão. Ainda penso nisso, como era escuro. O tipo de escuridão em que seus faróis parecem a única luz no mundo. Já dirigia há uns quarenta minutos quando vi alguém parado na beira da estrada.
No começo achei que era apenas alguém que tinha quebrado. Você vê isso às vezes por lá, alguém esperando perto do carro, esperando ajuda. Então desacelerou. Não completamente, mas o suficiente para ter uma visão melhor. Foi quando percebi que essa pessoa não estava parada perto de um carro. Ela estava apenas... parada ali. Na grama à beira da estrada. Completamente imóvel. E quando meus faróis varreram ela, vi o rosto. Era um homem. Alto, talvez um metro e noventa, um metro e noventa e cinco. Usando roupas escuras, parecia até um terno, o que era estranho para aquela região. Mas foi o rosto dele que me fez frear. O rosto estava completamente sem expressão. Não neutro, não calmo — vazio. Como um manequim. Os olhos estavam abertos, olhando fixamente para a frente. Não para mim, não para o meu carro. Apenas... à frente. E a boca estava levemente aberta, só uma fina abertura entre os lábios.
Fiquei ali por talvez dez segundos, só olhando para ele nos meus faróis. Ele não se movia. Não piscava. Não reconhecia meu carro de forma alguma. Lembro de pensar que talvez ele estivesse em choque ou passando por algum problema médico. Abaixei minha janela, só um pouco, e chamei. janelas de carro são um saco - Kyle' Perguntei se ele precisava de ajuda. Nada. Nenhuma resposta. Nenhum movimento. Chamei de novo, mais alto desta vez. E então piscei. Quando abri os olhos — e estou falando de uma fração de segundo — ele estava três metros mais perto. Ainda exatamente na mesma postura. Mesma expressão. Mesma posição. Mas havia se movido. Impossível, mas havia se movido. Meu cérebro não conseguia processar. Uma piscada, um instante, e ele tinha cruzado três metros de terreno sem caminhar, sem mudar de posição, sem fazer nenhum som que eu pudesse ouvir por cima do motor em marcha lenta.
[ A história continua no jogo completo... ]