O Vigilante em Moomin World

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Oi. Isso aconteceu no verão de 1998. Eu tava viajando de mochila pela Escandinávia, na verdade, minha namorada na época me convenceu a ir, ela era muito apaixonada pela cultura nórdica. Enfim. A gente acabou numa cidadezinha costeira da Finlândia chamada Naantali. Tem esse parque turístico lá, o Moomin World, baseado naqueles livros infantis finlandeses. Sabe, aqueles personagens hipopótamos pequenos. Minha namorada adorava essas coisas, então passamos o dia lá. Era um parque bonito. Prédios de madeira pintados em cores vivas, pontes pequenas sobre a água, atores em fantasia. Muito charmoso, se você curte esse tipo de coisa. Ficamos até a hora de fechar, tiramos muitas fotos, andamos pelos caminhos. O lugar é construído numa série de ilhotas conectadas por pontes. É aqui que fica estranho. Depois que o parque fechou, a gente estava voltando pro estacionamento. Era provavelmente umas nove da noite, mas na Finlândia no verão, fica claro para sempre. As atrações principais estavam todas fechadas e o parque estava completamente vazio, todo mundo tinha ido embora. Nenhum funcionário por perto, nenhum outro turista. Fomos os últimos a sair. Só a gente e o som da água batendo nas estacas de madeira.

A gente estava cruzando uma das pontes quando minha namorada agarrou meu braço. Ela tinha parado de andar e ficou encarando as árvores na próxima ilhota. Olhei pra onde ela olhava, e a princípio não vi nada. Só pinheiros e aquelas casinhas pintadas dos Moomins à distância. Então eu o vi se mover. Havia algo parado entre duas árvores, talvez uns trinta metros de distância. Era alto. Mais alto que uma pessoa, eu diria uns dois metros e vinte a dois metros e quarenta. O corpo era fino, impossivelmente fino, como galhos que tinham sido amarrados juntos. Os membros eram compridos e articulados errado. Articulações demais nos braços. A pele era pálida. Não branca como uma pessoa, mas pálida como casca de bétula. Cinza-branca e lisa. A cabeça era a pior parte. Era estreita e alongada, e onde devia estar um rosto, havia só duas cavidades escuras. Sem olhos que eu pudesse ver, só sombras fundas. Estava nos observando. Não sei como eu sabia disso sem ver olhos, mas eu sabia. Ficou completamente imóvel, braços pendurados ao lado do corpo. A casa iluminada dos Moomins atrás dela emitia esse brilho azul e alegre que tornava toda a cena errada. parques temáticos ao anoitecer têm um clima tão sinistro - Clara' Aquela coisa, aquela criatura, parada ali no meio de um parque temático infantil. Minha namorada fez esse som, aquele gaspe [e a coisa inclinou a cabeça. O movimento foi suave demais, como se estivesse num pino. Foi aí que saímos correndo. Simplesmente viramos e saímos correndo de volta pela ponte em direção ao estacionamento.

Não paramos até chegar no carro. Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia enfiar a chave na ignição. Minha namorada estava chorando, ficava repetindo 'O que era aquilo? O que era aquilo?' sem parar. Pensei nisso por anos. Tentei racionalizar, talvez fosse uma fantasia, talvez alguém pregando uma peça. Mas o parque estava fechado. Não havia ninguém lá. E o jeito que se moveu, o jeito que inclinou a cabeça pra nos ver correr. Aquilo não era uma pessoa fantasiada. Pesquisei um pouco desde então. O folclore finlandês tem essas coisas chamadas Metsänhaltija, espíritos da floresta. Não sei se foi o que a gente viu. Não sei o que a gente viu. Mas sei que vimos algo que não devia estar lá. Algo que usava aquelas casinhas alegres dos Moomins como cobertura. Eu e minha namorada terminamos uns seis meses depois. Nunca realmente falamos sobre o que aconteceu naquela noite. Acho que os dois queriam esquecer. Mas eu não consigo. Toda vez que vejo qualquer coisa sobre a Finlândia ou aqueles personagens Moomins, estou de volta naquela ponte, encarando aquela coisa parada entre as árvores. Nos observando com olhos que a gente não conseguia ver.

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